segunda-feira, 3 de abril de 2017

2 anos!


Sábado, 28 de março de 2015. Eu estava grávida de 37 semanas e 3 dias. A ansiedade para dar à luz tinha atingido o ápice, já que, além dos desconfortos físicos inerentes ao final da gestação eu mal podia esperar o momento em que lhe pegaria no colo pela primeira vez!  Mas como a data provável de parto estava ainda há três semanas de distância, seu pai e eu saímos para almoçar na casa dos seus avós maternos sem a menor suspeita de que aquela seria a penúltima vez em que sairíamos de casa sem um bebê nos braços.

Tão logo almoçamos e eu, que sentia uma irritação extrema por estar fora de casa e muita ansiedade em relação à forma do parto, chamei seu pai para voltarmos para casa. Mas ao me levantar da mesa do almoço e me sentar em uma das poltronas da sua avó – que mais tarde serviria de poltrona de amamentação em várias ocasiões – eu tive uma sensação completamente inusitada abaixo do útero e precisei ir ao banheiro checar do que se tratava. Naquele instante constatamos que a bolsa tinha estourado.

Seu pai e eu voltamos para casa meio atordoados com a possibilidade de conhecermos você ainda naquele dia. Embora a espera já aparentasse ser longa demais, não estávamos preparados para o que viria a seguir. E naqueles instantes em que nos demos conta de que a gravidez tinha finalmente chegado ao fim, entramos em um mundo paralelo de excitação, apreensão, ansiedade e expectativa.

3 dias depois saíamos da maternidade com um pacotinho no colo. E eu, que havia sido abandonada por qualquer vestígio de vontade própria, segurança e autocontrole a partir do momento em que me deitei na maca para me submeter a uma cesariana não desejada e muito receada, não sabia de onde tiraria aptidões físicas, mentais ou emocionais para operar a tarefa que de mim era esperada: cuidar de você.

Embora tenha batido o pé durante toda a gestação de que não nos mudaríamos para a casa dos seus avós nos primeiros dias de pós parto, naquele primeiro instante em que você estava inteiramente sob a nossa responsabilidade, eu não conseguia conceber a ideia de trazer você para a nossa casa. Minhas defesas caíram por terra filho, e eu me sentia tão frágil e vulnerável como aquele bebê que precisava de mim.

Os primeiros dias de pós-parto foram muito doídos. A dor cirúrgica era intensa, o desconforto que sentia ao me olhar no espelho e ver aquele corpo flácido e tão maior do que o habitual – embora não abrigasse mais nenhum bebê dentro de si –, o leite que não parava de jorrar e deixava todas as roupas molhadas, o sangramento intenso que se segue ao parto... Esses desconfortos físicos somados ao cansaço decorrente das noites em claro faziam com que eu me sentisse ainda mais debilitada e assustada.  Eu sentia medo de tudo o tempo todo: medo de te machucar, medo de te mimar, medo da sucumbir à exaustão, medo de nunca mais sentir alegria...

Vivemos muitos momentos gostosos nos seus primeiros dias de vida, mas todos eles foram marcados pelo cansaço e pela ansiedade. Te dava colo e peito sempre que você requisitava, o que me deixava literalmente exausta e sem tempo até para lavar a cabeça. Todos os planos de criar rotinas em seus primeiros meses foram por água abaixo me deixando com a sensação de que você nos dominara completamente e de que talvez não estivéssemos prontos para sermos pais.

O aprendizado que se seguiu a partir destes desafios foi enorme, e hoje eu enxergo a maternidade com um pouco mais de leveza do que  enxergava dois anos atrás. Nossa família está longe da perfeição. Como casal, seu pai e eu temos muito o que aprender. Como pais, nem se fala.

Mas hoje enxergo a vida de forma menos romantizada. Agora sei que é preciso esperar que as coisas sejam difíceis, e receber tudo o que se dá de forma tranquila como refrigério de Deus. As agruras da maternidade são muitas e aprender a ser mãe é extremamente doloroso. As renúncias são enormes, o cansaço físico, que é grande ao fim de cada dia, não se compara ao cansaço emocional decorrente desta responsabilidade. As crises relativas aos papéis que desempenho como mãe, esposa, profissional, dona de casa e mulher, são constantes e vira e mexe bate aquele desespero e medo de não conseguir dar conta de tudo o que me propus a fazer.

A parte boa disso é abaixar as expectativas, enxergar as pessoas com mais realismo, inclusive a mim. E a partir daí fica mais fácil se abrir para a Graça de Deus e dar lugar à gratidão.

E nesta carta que lhe escrevo para registrar seu aniversário de 2 anos, eu expresso minha gratidão à Deus pela sua vida e pelas maravilhas que Ele opera nas nossas vidas através da sua existência. E, apesar de saber que eu tive um papel bem limitado no seu desenvolvimento físico e intelectual, me encho de orgulho a cada vez que você pronuncia uma palavra nova, leva a colher à boca sem ajuda ou segura sozinho seu copo d’água.

2 anos é um tempo relativamente curto para nós, adultos. Mal dá para concluir um mestrado, se preparar bem para um concurso, chegar à metade de um curso de graduação... Mas pra você, filho, representa toda a extensão da sua vida.

E como foram grandes as suas conquistas nestes dois anos! De um bebê inerte, que mal segurava a própria cabeça, você se transformou neste menino dinâmico que corre, pula, sobe em tudo o que consegue alcançar, conta até 5, reconhece algumas cores, cantarola sozinho trechos de canções e até elabora e articula verbalmente sentimentos como: medo, angústia, felicidade e empolgação. Nem vou tentar reproduzir aqui seu vocabulário porque ele está “enoooorme”.

Destaco apenas algumas das suas palavras e frases mais faladas: “bigadu”, “enoooorme”, “tenho medo” , “ajuda, mamãe/ ajuda, papai”, a inusitada “ajuda, igreja”,  "brinca, papai", "tchau, mamãe, té manhã", "brilha, Jesus", “tá quente”, “tá gelado”, “tá pertado”, “vem, mamãe”, “veeem vovó”, “papai tá trabalhando”, “qué sisti urso polar”, “qué não”, “que legal, divertido!”, "segura, peão" e a clássica: “dá licença, mamãe” (quando quer privacidade para fazer cocô, quando tenta fazer alguma coisa proibida ou brincar sozinho com seu pai e eu tento entrar no meio).  Sua avó costuma dizer: "Vovó te ama, promete que não esquece?". Ao que você responde: "trumpete".

Mas a frase campeã do momento é: “Que isso?”.

Tudo desperta a sua curiosidade e quando lhe respondemos uma palavra fácil de repetir, você repete com muita satisfação. Sexta seu pai te levou à feira como ele faz todas as semanas. Mas desta vez você passou todo o tempo perguntando “o que é isso?” ao se deparar com pessoas, barracas, legumes, frutas, árvores e lugares. E a cada vez que ele lhe respondia: maçã, laranja, estacionamento, barraca, etc, você repetia com grande entusiasmo.

Você é apaixonado por bichos e conhece vários deles pelo nome: cachorro, gato, girafa, elefante, lobo, urso polar, hipopótamo, gatinho, leão, tigre, dinossauro,  porquinho, peixe, tubarão, tucano, arara, gavião, sapinho, patinho, golfinho (mais conhecido como tufinho) e cavalos, que são os seus favoritos!

A nova moda é se referir à você na terceira pessoa. Às vezes você fala: “o Pedrinho fez isso” ou “isso é do Pedrinho.” E desde que sua bisavó falou que você ainda é bebê você começou a se referir à você mesmo como “o bebê”. Se começa a tossir diz: “O bebê ta tossindo”. Se faz uma bagunça na sala e alguém lhe pergunta quem fez isso você responde: “o bebê”.

Você tem uma personalidade forte e eu diria que até um pouco obstinada. Os acessos de raiva e birras já se tornaram constantes no nosso dia à dia. Muitas vezes é preciso falar bem duro com você, mas em outras, basta um abraço carinhoso pra que você se acalme e recobre o bom humor que é sua marca registrada J

Seu sorriso gostoso nos acompanha desde às seis da manhã, quando você levanta da sua cama e vai até a nossa acordar o seu pai para brincar. E na hora em que te colocamos pra dormir, é com sorrisos e chamegos gostosos que você finalmente adormece.

Você presenteia seus amados com muitos abraços, sorrisos e beijos. E a forma que tem encontrado para demonstrar predileção por alguém nestes dias é chamando a pessoa para se sentar ao seu lado no chão e brincar, ao mesmo tempo em que pede pra que eu te deixe a sós com a pessoa dizendo: “dá licença, mamãe!”. O medo de outras crianças ainda não cedeu completamente, mas quando você se encanta por alguma, é difícil se despedir.  

Seus avós – maternos e paternos – ocupam um espaço “enoooorme” no seu coração. E seus bisavós também são motivo de muita alegria na sua vida. Comemoramos seu aniversário no sábado na casa da bisa e foi muito gratificante perceber o quanto este foi um dia alegre pra você. O empenho que seus bisavós e tio-avô Roberto tiveram para deixar a casa decorada para sua festinha foi comovente. Eles abriram seus corações e vidas completamente pra você, filho. E graças a Deus você vem retribuindo tamanho afeto com muito amor e carinho.

Minha oração de hoje é pra que você sempre coloque as pessoas em primeiro lugar. Que seu coração seja quebrantado e que desde pequeno você seja cheio do Espírito Santo. Que você se veja como meio, e não fim na vida das pessoas. E que, por meio da sua vida, muitas outras sejam abençoadas e edificadas. Que você seja generoso, amoroso, solidário e carinhoso. Que não tenha medo de demonstrar afeto e que também não tenha medo de demonstrar tristeza. Que o amor seja a base da sua identidade pra que você nunca sinta que tem que fazer ou conquistar algo para ser amado. Que você seja livre para se desenvolver plenamente, mas que conheça desde cedo o caminho do bem e se abstenha do caminho do mal. E que você caminhe com fé, amor e esperança pela jornada desta vida que acabou de começar, mas que já trouxe tanta alegria para nós que temos o privilégio de caminhar ao seu lado. 

domingo, 18 de dezembro de 2016

1 ano e 8 meses - seu segundo Natal

Oi, filho,

Estamos nos aproximando do seu 2º Natal e você já sabe que celebramos nesta data o nascimento do menino Jesus. Obviamente as implicações deste fato ainda não fazem sentido pra você, mas me enche de orgulho te ouvir dizendo que o Natal é o nascimento do menino "Duduz" :)

2016 foi um ano intenso e marcado por acontecimentos que, para muita gente, eram considerados inacreditáveis até então. Impeachment presidencial, denúncias infindáveis envolvendo quase a totalidade dos partidos políticos brasileiros, ataques terroristas intensificados, eleição de Donald Trump, bombardeios cujos principais alvos eram mulheres e crianças, queda de avião por falta de combustível, etc.

Neste cenário em que a tragédia parece imperar, amargamos ainda a perda do Rev. Elben César, dr. Russell Sheed e Dom Paulo Evaristo Arns! Homens raros dos quais o mundo não era digno e que certamente farão muita falta nesses tempos sombrios em que tanto carecemos de exemplos de pessoas cuja prática de vida seja coerente com aquilo que professam.

O cenário político no país da propinocracia vai de mal a pior. Como se não bastassem as infindáveis denúncias de corrupção que engolfam os líderes das casas legislativas chegando até o presidente da República, ainda temos de lidar com a aprovação de emendas e reformas de um governo que não teve seu programa aprovado nas urnas e que a cada dia dá claros sinais de que sua maior preocupação é sair impune das falcatruas cometidas durante anos. Diante de tamanha incongruência, vive-se uma perplexidade geral.

Sérgio Rodrigues elegeu "falência" como palavra do ano no Brasil, já que, segundo o colunista da Folha, vivemos essa falência "mais ampla –política, institucional, moral– que tira a razão de todos". Ao referir-se à aprovação da malfadada PEC 55 na terça-feira, 13, Rodrigues disse ainda que aqueles que a aplaudem "correm o risco de pôr na cabeça o chapéu cônico de burro por acreditar que, nas mãos das quadrilhas que nos governam, ela será usada para construir um país mais responsável e não para aguçar a perversidade social dos privilégios de sempre".

Palavras duras, porém tão verdadeiras.

Clóvis Rossi, também da Folha, foi ainda mais enfático ao denunciar a bancarrota da humanidade. Ao comentar os chocantes bombardeios em Aleppo e as terríveis imagens que os sucederam, Rossi afirmou com todas as letras que "Aleppo foi o túmulo da humanidade".

Aqui, peço licença para discordar do estimado colunista, já que, para aqueles que acreditam na narrativa bíblica e concordam com a cosmovisã cristã de mundo, o túmulo da humanidade se deu no próprio Éden.

O cenário pós-queda sempre foi marcado por todo tipo de tragédias e crueldades. O primeiro homicídio descrito na Bíblia é encontrado em Gênesis 4 e é praticado por um irmão contra o outro. Depois disso as coisas pioram exponencialmente. Lameque, descendente de Caim, era um homem tão mau, cruel, perverso e ímpio que seria capaz de chocar até os jihadistas do Estado Islâmico.

À medida em que progredimos na leitura da narrativa bíblica, nos deparamos com todo o tipo de barbaridade. O livro de Juízes nos arranca lágrimas de tristeza e perplexidade do início ao fim ao descrever cenas trágicas e crimes hediondos cometidos premeditadamente e à sangue-frio. Quando nos aventuramos a ler as Lamentações atribuídas ao profeta Jeremias nos deparamos com um cenário ainda mais aterrador. Nas palavras de Eugene Peterson "o canibalismo e o sacrilégio eram horrores gêmeos que percorriam as ruas da destruída Jerusalém. O pior que pode acontecer ao corpo e ao espírito, à pessoa e à nação aconteceu ali - o fundo do poço do sofrimento".

E para quem pensa que progresso e civilização são as respostas para conter a maldade crônica da humanidade, basta observar a inércia das superpotências para colocar um fim à guerra da Síria ou pesquisar na História os infindáveis exemplos de abusos e crimes de guerra cometidos por países "civilizados"  ou então lembrar-se do atirador norueguês que fez quase uma centena de vítimas em um dos países cujo IDH está entre os mais altos do mundo.

A maldade humana é intrínseca e se manifesta das mais diversas formas. Ao observarmos nosso mural do facebook ou as conversas dos incontáveis grupos de whatsapp nos deparamos diariamente com todo tipo de crueldade. O aniquilamento do outro vai muito além do assassinato, filho.

Somos homicidas natos.

Onde então devemos firmar nossos olhos para não perdermos a esperança?

Ora, se a narrativa bíblica é cheia de histórias dignas de filmes hollywoodianos de terror, ela também transborda de Graça. Somos a todo o tempo lembrados de que, embora o mal que há no mundo signifique ausência de Deus e a total alienação do ser humano em relação ao seu Criador,  Deus nunca deixou de se importar conosco e bolou um plano milagroso para nos resgatar.

E neste contexto celebrar o Natal se torna algo infinitamente mais importante e grandioso do que nossas ceias em família (por mais gostosas e aconchegantes que elas possam ser). Neste Advento, seu pai e eu temos sido renovados diariamente por uma esperança que não tem suas raízes fincadas em nada que a cidade dos homens possa oferecer. Graças a Deus por isso, porque neste cenário em que a cidade dos homens dá sinais de que a ruína total pode chegar a qualquer momento, virar-se para a cidade de Deus é a única coisa que nos dá motivação para continuar caminhando, e esperando.

E pelo quê esperamos, filho?

Esperamos ansiosamente pelo dia em que:
"O lobo viverá com o cordeiro, o leopardo se deitará com o bode, o bezerro, o leão e o novilho gordo pastarão juntos; e uma criança os guiará. A vaca se alimentará com o urso, seus filhotes se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi. A criancinha brincará perto do esconderijo da cobra, a criança colocará a mão no ninho da víbora. Ninguém fará nenhum mal, nem destruirá coisa alguma em todo o meu santo monte, pois a terra se encherá do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar." [Isaías 11:6-9]
Neste mesmo dia "Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." [Apocalipse 21:4]

E nossa espera envolve pranto pela condição em que nos encontramos e também pelo sofrimento que se abate sobre tantos. Mas ela também envolve riso porque um dia toda a maldade terá fim.

Nossa espera implica em ceticismo em relação à cidade dos homens, mas ela também envolve engajamento na luta por justiça porque Jesus já inaugurou seu Reino entre nós.

Nessa espera lamentamos a falência moral e institucional e o descrédito das autoridades que nos governam, mas também nos lembramos de que toda a autoridade pertence a Jesus e que "o governo está sobre os seus ombros." [Isaías 9:6]

Por isto neste Natal nós celebramos, filho. E nossa celebração é autêntica, genuína, sincera e bem-fundamentada.






quarta-feira, 7 de setembro de 2016

1 ano e 5 meses

Filho,

O semestre começou por aqui na correria que todo início de semestre em casa de professor sempre traz. Seu pai com uma rotina diferente e eu tentando me adaptar à rotina dele e às minhas novas demandas de trabalho. No meio deste turbilhão você segue seu próprio ritmo, sempre nos surpreendendo com sua alegria e carinho. Algumas vezes nos enlouquecendo com seu excesso de energia. E de vez em quando nos irritando com umas birras eventuais  (nesses momentos eu me descubro como uma mãe de pavio curtíssimo). Mas se tem algo que me comove na primeira infância é essa capacidade de entrega e de perdão que aparentemente perdemos à medida em que crescemos.

Hoje eu nem consigo me lembrar em que momento você começou a balbuciar as primeiras palavras. Lembro-me da emoção que foi ouvir "mamãe" pronunciado da forma correta e da surpresa quando, pela primeira vez, você repetiu uma palavra que dissemos. A partir destes primeiros passos seu vocabulário cresceu muito. Hoje, ele já está mais ou menos assim:

mamãe
papai
vovóooo
vovô
izzza (bisa)
bola
goooool
não
sim
dá (tanto para "me dá", quanto para "toma aqui")
nenê
táto (moto ou pato, depende do contexto)
bubu (carro)
aba (água)
xuco (suco)
papá
cíiia (Letícia)
ciáaaa (Inácia)
au au (cachorros, gatos e vários outros bichos)
eixxxe (peixe)
chua (chuva)
pssi-pssi (passarinho)
mamá (quero mamar)
xixi (para indicar xixi e cocô)
ixo (lixo)
apfri (abre)
adô (ventilador)
sai
céu
sol
pão
mamão
mão
chão
abão (sabão)
dentii (dente)
quente
zezé - josé
juju- jesus
uz - luz
esse

palavra repetida várias vezes ao dia, cujo significado eu ainda não consegui descobrir:
tati

palavras pronunciadas uma única vez até hoje (com perfeição)
azul
verde
mais

frase repetida várias vezes enquanto estávamos no hospital:
vambora :(

Você deu seus primeiros passos com 1 ano e 1 mês. Eu já não me aguentava mais de ansiedade e até te assustei com a festa que fiz quando você se equilibrou sozinho e deu dois passos no tapete da sala. No dia seguinte deu 3 passos. No outro dia andou 5 passos. E depois disso começou a andar pela casa toda. Agora ensaia umas corridas, tenta dar cambalhotas, sobe em tudo, joga bola e grita Goooool (inclusive na parte rasa e mega-escorregadia da piscina).

Suas comidinhas favoritas:
ovo cozido - você gosta tanto que até vira a vasilha na boca quando termina de comer pra tentar pegar todas as migalhas restantes
melão
mamão
maçã
carnes de todos os tipos
arroz e feijão
moranga
chocolate - até aquele 70% cacau, supere amargo você come
leite materno ;)
dedeira e iogurtes diversos
queijo - você ama! come enquanto estiver na mesa ;)

Suas atividades favoritas são: nadar,  tomar banho, passear, visitar avós e bisavós, jogar seus brinquedos e objetos aleatórios dentro do balde de água enquanto Inácia limpa a casa, jogar bola com o papai, jogar pão para os peixes e patos no bosque, interagir com cachorros, seguir a Letícia e imitar tudo o que ela faz, mamar no peito, assistir Pocoiô, assistir documentários de bichos e imitar o som do leão, ler, brincar de carrinhos, abrir e fechar as portas da casa e esconder seus brinquedos dentro dos cestos de lixo e dos cestos de roupa suja, pular em cima do seu pai de manhã bem cedo e falar "bola" ;)

Você é um livro aberto, filho. Qualquer um sabe dizer se está feliz, irritado, animado ou magoado. E o mais encantador é que não importa quão magoado você esteja conosco por qualquer razão, no minuto seguinte já é capaz da abrir aquele sorriso. Como pais de primeira viagem e como seres humanos falhos que somos, erramos muito e erramos todos os dias. Mas você não fica contabilizando nossos erros, e se não fosse a nossa mania de autopunição, a vida como seus pais poderia ser bem mais leve.

Em junho vivemos dias de verdadeiro terror quando você foi internado com pneumonia e teve de permanecer 17 dias no hospital. Essa foi, de longe, a maior tribulação que eu já vivi. Não tenho palavras para descrever a apreensão, angústia, cansaço físico, mental e emocional que esses dias de internação significaram para mim, seu pai, seus avós, bisos, tios, tios-avós e amigos.

No momento em que o peso esmagador da culpa ameaçava me fazer sucumbir ao desespero e à auto-flagelação eu tive que tomar uma decisão: tomar pra mim a responsabilidade pela enfermidade, acreditando - mesmo sem nenhuma evidência disso - que eu poderia ter evitado que você adoecesse se tivesse sido mais cuidadosa OU entregar todo o fardo nos ombros de Jesus confiando que Ele havia cuidado de você todo o tempo e continuaria cuidando (mesmo que isso não implicasse necessariamente na cura). Eu optei pela segunda opção, mas esta é uma decisão que ainda preciso tomar todos os dias ao me levantar e ao me deitar.

Tenho sido desafiada diariamente a não ficar pescando pecados confessados já que meu débito com você nunca é quitado, só aumenta. Agora, mais que nunca, é preciso abrir mão desse cristianismo meia-boca que prega a Graça, mas que busca a autojustificação e pedir a Deus misericórdia pelos erros passados e entregar o futuro à Divina Providência, acreditando, do fundo do coração, que Deus vai cumprir os propósitos Dele na sua vida apesar de mim e do quão incoerente, confusa e imatura eu venha a ser.

Trocando em miúdos: a maternidade me convida diariamente a depositar todo o fardo aos pés do Redentor, confiando que as misericórdias Dele se renovam todas as manhãs. E se tem algo que tenho aprendido todos os dias é que é preciso trabalhar com afinco e diligência, mas não deixar o peso do perfeccionismo nos esmagar. Do contrário, a gente fica atrofiado para aquilo de mais importante que há na vida: nossos relacionamentos.

Espero não ser muito dura com você e nunca dar a impressão de que você precisa de um desempenho mínimo para merecer o meu amor. Eu te amo incondicionalmente, nunca duvide disso. E que a sua identidade se baseie no fato de que você é amado e não nos seus êxitos e realizações.

Temos um Salvador que enxerga no recôndito no nosso ser, filho. Com Ele, não adianta usar máscaras porque Ele conhece todas as nossas feiuras e mazelas. Mas por incrível que pareça, Ele nos ama como somos. Que esse Amor te liberte, filho! E que Nele você aprenda a caminhar pelas encruzilhadas da vida.

Um beijo,

Sua mãe.








segunda-feira, 28 de março de 2016

1 ano!

Filho,
crédito da foto: tia Marcinha

Parece que foi ontem que ouvimos seu choro pela primeira vez. Ao mesmo tempo, sinto como se isso tivesse acontecido há muitos anos já que agora a vida antes de te conhecer parece mais um borrão na memória e esses últimos 12 meses, de tão intensos, dão a impressão de terem durado uma eternidade.

Embora meu desejo seja o de registrar o máximo possível os nossos primeiros anos, este foi um texto que hesitei muito em escrever. É que as palavras não são suficientes para expressar o que temos vivido e todos os textos do mundo ficam sempre muito incompletos.

No dia 28 de março de 2015 seu pai e eu renascemos. Desde então, a gente olha primeiro para você antes de ter a chance de se olhar no espelho. E nesta entrega, que tem sido tão visceral, a gente tem aprendido a ser gente.

Aliás - você faz mamãe aprender tanta coisa, filho. A ser menos dura com os outros e com ela mesma. Que a maternidade não é uma medida de desempenho diário. Que alguns dias são mesmo melhores que outros, mas que até os dias ruins, e principalmente os dias bons, podem e devem ser entregues à misericórdia do Redentor. Que julgar outros pais é muito perigoso porque no dia seguinte você pode se ver fazendo exatamente aquilo que tão apressadamente julgou - e condenou. Neste primeiro ano você também me fez perceber que 8 horas de sono por noite são um luxo, e são complemente dispensáveis. E que dormir picado (acordando a cada duas horas) é totalmente plausível e possível.

Não vou negar que tem sido duro - muitas vezes o cansaço é tanto que bate até um desespero. Também não vou fingir que não sinto falta da "leveza" e da "liberdade" que tínhamos antes de nos tornarmos pais - carregar nos ombros a responsabilidade pela vida de outrem é pesado demais - mas também não vou negar que a alegria que experimentamos por sermos seus pais é do tamanho do universo.

Como você cresceu em um ano! Suas descobertas foram tantas que nem dá pra contar... E elas foram tão importantes pra você, filho. Cada uma delas fez brotar inúmeros sorrisos - algumas até gargalhadas - nesse seu rosto de menino travesso que sorri também com os olhos.  Hoje, ao despertar para um novo dia cheio de novas descobertas, você estava tão crescido que nem parecia um bebê.

Na manhã do seu primeiro aniversário você já era outro, diferente de ontem e tão, mas tão diferente de um ano atrás!

Segura sozinho seu pedaço de pão. Engatinha sem dificuldade no azulejo escorregadio da parte rasa da piscina, sem cair. Testa o equilíbrio das pernas andando de um lado para o outro do sofá, mas ainda não sente confiança o bastante para dar os primeiros passos sozinho. Neste assunto, faz a mamãe aprender que cada pessoa tem seu tempo e que a vida não é, e nunca será uma corrida, e ponto final.

Dá gargalhadas de puro prazer quando gosta de alguma coisa. Cantarola junto com as músicas da tv. Testa a força da gravidade com os nossos controles remotos. Não chora mais no carro e já anda sozinho na cadeirinha no banco de trás. Escolhe o colo em que quer ficar. Ensaia suas primeiras palavras e balbucia algumas com muita proeficiência (mamã/ papá/ não/ nenê e dá - esta última quase sempre se referindo à comida ou á água).

Seus gestos aos poucos nos revelam um pouco da sua personalidade. Ao mesmo tempo que é doce, você também é forte e obstinado, não abre mão facilmente daquilo que quer. A timidez te assalta sempre que um estranho te dá atenção, mas ela não é grande o suficiente pra te impedir de distribuir sorrisos por onde vai. Embora ainda não conheça a palavra carinho, você já entende bem o seu significado e generosamente nos alegra com seus sorrisos, pseudo-beijos e abraços. Que bebê mais chameguento você é! Abre portas - que antes nos pareciam trancadas - com um sorriso de orelha a orelha (aqui no prédio tem mais gente que sabe o seu nome do que o do seu pai e o meu).

Sua presença se faz presente até na sua ausência: nos brinquedos e embalagens espalhados pelo tapete da sala. Nos copinhos e pratinhos de plásticos sobre a bancada da cozinha. No banquinho de plástico no banheiro e nas marcas de dedinhos que aparecem diariamente sobre os espelhos...

Sempre que fecho os olhos e penso no seu rosto é do seu sorriso que lembro, filho. Faço votos que você continue assim. Que aprenda a encarar as dificuldades da vida com este mesmo sorriso. Mas que quando for preciso chorar, que chore sem medo. Porque o choro, até mais que o riso, faz parte deste mundo, que por mais felicidade que traga, ainda é um vale de lágrimas. Mas que você não duvide de que quem chora enquanto semeia, volta com júbilo trazendo seus feixes. 

E - acima de tudo - a esperança, filho.  Que você nunca se esqueça de que o melhor ainda está por vir. 

Te amo,

Sua mãe.







domingo, 27 de março de 2016

Celebrando sua segunda Páscoa

Oi, filho,

Às vésperas do seu primeiro aniversário celebramos juntos a sua segunda Páscoa. Ano passado você nos surpreendeu com a sua chegada apenas alguns dias antes da Páscoa e neste ano podemos celebrá-la juntos um dia antes de você completar 1 aninho ...  E como essas celebrações são significativas pra nós, filho! Registro abaixo um texto que escrevi alguns anos antes de você nascer, mas que expressa bem o assombro e a alegria que sinto diante deste ato que aconteceu na história e ressoará para sempre na Eternidade. E que assim como as mulheres da história abaixo um dia você também se prostre em adoração aos pés do nosso Redentor e experimente a alegria de viver na presença Dele.


O mestre vive

O sol de domingo ainda não havia raiado e elas, as duas Marias, se dirigiam aos prantos para o sepulcro do Mestre. Há tempos o seguiam e, para a tristeza de seus corações, haviam testemunhado também a execução de Jesus. Mesmo de longe viram a forma execrável como ele fora tratado pelos soldados.

Seus corações se comprimiram de pura dor ao verem seu senhor ser desprezado por tamanha multidão! Em meio às centenas de rostos que expressavam rancor e exigiam a crucificação de Jesus, as duas Marias reconheceram muitos daqueles que por ele haviam sido curados.

Como desejaram que Deus o salvasse e mostrasse a todos o quanto estavam errados a respeito do mestre! Todavia, absolutamente nada havia sido feito para impedir a morte de um homem justo e inocente. Nem mesmo seus discípulos lhe deram o apoio de que necessitava em seu momento derradeiro. Todos, inclusive o Pai, o abandonaram.

Elas também testemunharam o instante em que ele, depois de muito sofrer, expirou. Tais imagens estavam vívidas em suas mentes tornando seus corações muito tristes e pesarosos. Como era possível que aquele homem que lhes estendera a mão e lhes ensinara sobre o amor de Deus não mais estivesse vivo?

Enquanto se dirigiam para o sepulcro, guardavam silêncio. Mas em seus pensamentos, imagens vívidas de Jesus teimavam em aparecer. Seu ensino cheio de autoridade ainda ressoava em suas memórias. Seu sorriso terno, a voz extremamente gentil e doce que convidava para junto de si as crianças, os pobres, as mulheres, os doentes e marginalizados estava bem nítida em suas memórias.

Todavia, o que mais marcara o tempo em que passaram com Jesus foi a misericórdia com a qual foram por ele tratadas. Nunca antes um homem judeu – e muito menos um rabi! – lhes tratara com tanto respeito. Afinal, elas eram mulheres… E enquanto tais, já estavam acostumadas a serem excluídas, rebaixadas e desprezadas. Jesus lhes dera um lugar legítimo entre os seus seguidores e abrira precedentes para que outros homens as tratassem com dignidade.

Durante todo o dia de sábado tudo o que fizeram foi chorar e lamentar a morte do Mestre. Mal esperaram aquele longo e triste dia terminar e se dirigiram ao local onde seu corpo fora guardado para prestarem a Ele sua última homenagem. Queriam embalsamá-lo, chorar a sua morte e expressar, ainda que diante de um corpo inerte, seu amor e sua gratidão.

Por isso tinham tamanha urgência em chegar ao sepulcro.

Qual não foi a surpresa que tiveram ao chegarem lá! A pedra que guardava a tumba fora retirada e sobre ela um ser resplandecente irradiava tudo à sua volta com uma doce e pura luz! Os guardas que não hesitaram em escarnecer e zombar de Jesus foram tomados de pavor ao verem o anjo.

No entanto, o belo ser celestial se dirigiu a elas com ternura, dizendo: “Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está mais aqui, pois vive!”.

As duas Marias mal podiam acreditar no que ouviram! “O mestre está vivo!”, diziam entre si. Em sua corrida para anunciar a boa nova aos outros discípulos nem perceberam que um homem se aproximava. As lágrimas de alegria embotavam seus olhos, e elas mal podiam enxergar.

De repente, aquele peso que esmagara seus corações desde que Jesus fora crucificado dera lugar à leveza, à alegria e ao entusiasmo. A dor e a tristeza podiam e deviam sair. O mestre vive!

Mas o desconhecido estava agora muito perto e elas finalmente conseguiram enxergar. Aquele homem que estava de pé diante delas era o próprio Jesus!

A alegria da descoberta de que o mestre estava vivo só foi superada pela alegria de vê-lo, abraçá-lo e adorá-lo! Tocaram em suas chagas e, com alívio, constataram que elas não mais lhe causavam dor. Abraçaram Jesus e sentiram a vida que exalava do seu corpo quente, pulsante, vivo!

O sol de domingo agora irradiava seu brilho tênue. Os pássaros cantavam alegres enquanto belas flores desabrochavam anunciando a redenção da Criação. No íntimo, aquelas mulheres sabiam que algo de sobrenatural acontecera naquele lugar. Enquanto durasse esse mundo sabiam que para sempre aquele domingo seria especial.

O Mestre está vivo!

(Texto baseado na narrativa de Mateus 28:1-10)

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

9 meses e 3 semanas

Oi, filho,

Muitos e muitos anos atrás o mundo, a vida e as pessoas foram completamente diferentes do que são agora. Isso foi há muito tempo - tanto que ninguém sabe precisar ao certo quando aconteceu - mas o fato é um dia a humanidade viveu em paz entre si e com o Criador. Homem, mulher, árvores, peixes, leões, cachorros, panteras e até as serpentes conviviam pacificamente em um belo jardim. Este jardim era tão belo, tão límpido, tão maravilhoso que nem todos os idiomas do mundo juntos reúnem adjetivos suficientes para descrevê-lo, tampouco a imaginação mais fértil da criança mais pura conseguiria concebê-lo. Como o estado atual de nossas mentes não consegue alcançar tanta beleza, nos contentamos em contemplar a paisagem mais bela que nossos olhos podem alcançar para tentar ter uma vaga ideia de como era esse jardim.

Neste ambiente acolhedor e único não havia maldade, corrupção, injustiça, dor, sofrimento, mágoas, traumas, desastres naturais e tampouco a morte. A vida explodia em todos as direções em uma dança eterna.  E o mais importante de tudo: os habitantes deste mundo original desfrutavam de comunhão plena com o Criador. A intimidade entre eles se assemelhava àquela que temos com os nossos amigos mais chegados, aqueles com os quais podemos passar uma madrugada inteira papeando e rindo à toa.

Hoje, rompidos com Deus, uns com os outros e conosco mesmos levamos vidas fragmentadas. Na tentativa de encontrar sentido para a nossa existência criamos ídolos que nos iludem e sugam tudo de nós. São eles: dinheiro, sexo, poder, religião, política e até mesmo outras pessoas. A tragédia é que nada disso nos satisfaz plenamente e por isso vivemos sempre com aquela sensação de que "tem alguma coisa faltando". Mas isso também é Graça porque nesses momentos de sobriedade podemos ser alcançados pela única Voz da Verdade, aquela que nos fala o quão distantes estamos de Casa, mas ao mesmo tempo nos convida a empreender o caminho de volta. Este caminho de volta é cheio de percalços. Cada um deles é uma oportunidade de moldar nosso caráter pra que um dia nos tornemos as pessoas que fomos criadas para ser e enfim desfrutar de um relacionamento pleno com o nosso Criador e com os nossos semelhantes.

A experiência da maternidade tem sido a mais desafiadora de toda a minha vida, filho. E olha que ainda estou no comecinho. Você já tem quase 10 meses e eu ainda me ressinto da alta demanda de um bebê. É claro que é uma imensa alegria testemunhar seu crescimento e eu me sinto a mais privilegiada das mães por ter um bebê como você, filho. Mas o outro lado desta moeda contém litros e litros de lágrimas derramadas por noites mal-dormidas (você acorda de hora em hora durante a noite), preocupações quanto à "maneira certa" de criar você e preocupações com o seu bem-estar. Mas hoje enquanto você estava com sua avó pela manhã eu tive um tempo mais longo para meditar sobre a vida e fui surpreendida com uma conclusão que me trouxe paz: com a graça de Deus todos os espinhos que seu pai e eu enfrentarmos nesta jornada da maternidade/paternidade nos ensinarão a ser gente de verdade: menos auto-centrados, egoístas, egocêntricos e implacáveis.

Somos a cada dia mais gratos a Deus pela sua vida, filho!

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Sobre o seu desenvolvimento:

Você aprendeu a engatinhar pouco tempo depois de ter completado 8 meses. Mas sua forma de fazer isso é bem peculiar. Ao invés de usar as duas pernas para se locomover, você mantém uma delas dobradas e usa os braços e uma perna para se mover em pequenos pulinhos. Mas você está super veloz, principalmente quando persegue uma bola :) Aprendeu a ficar de pé no berço e agora aproveita todas as oportunidades que surgem para se levantar. Ontem eu estava lavando louças e você se agarrou na parte de trás das minhas pernas e se levantou. Seu novo passa-tempo favorito é se sentar depois que se coloca de pé, e depois se levantar de novo. Ontem você fez isso tantas vezes seguidas que seu pai e eu suspeitamos que deve ter ficado com o bumbum dolorido :P

Seu cardápio está a cada dia mais diversificado, assim como seus novos alimentos favoritos. Churrasco está entre eles :)  Você adora bagunça, casa cheia e gente ao seu redor. "Puxa-papo"com todo mundo e agora deu pra chorar quando as pessoas saem de perto de você, até mesmo desconhecidos no elevador. Sua resistência com crianças está finalmente sendo vencida e você tem gostado cada vez mais da companhia de outros pequenos. Fica deslumbrado quando encontra bebês da sua idade, principalmente se eles não forem muito barulhentos. Você continua demonstrado irritação com barulhos, principalmente os mais agudos. Os sons do liquidificador e do aspirador de pó ainda são capazes de lhe fazer chorar.

Seu vocabulário está aumentando bem rápido. Além dos clássicos "mamã"e "papá"que você solta nos momentos de choro, você aprendeu a usar a ordem "dá" quando demoramos a lhe dar algo que você quer muito (principalmente comida). E passa metade do dia balbuciando novos sons e juntando sílabas. Domingo você passou um tempo com a Gabi e depois que chegou em casa soltou um "Babi". Acho que ela foi quase bem-sucedida na tentativa de lhe ensinar a dizer o nome dela :)

Não tenho palavras para expressar meu encanto com você, filho!Nem nos meus mais altos sonhos eu poderia vislumbrar um bebê tão chameguento, charmoso, sorridente e maravilhoso como você. Basta olhar pra gente e você já abre o sorriso mais lindo de todos! Suas gargalhadas são altíssimas, e o som delas é agora o meu favorito no mundo!

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No final do ano celebramos nosso primeiro Natal juntos e a sua presença me fez meditar sobre o menino Jesus de uma forma completamente inusitada. Pela primeira vez eu me deixei tomar por um verdadeiro assombro pelo fato de Deus ter se tornado homem e habitado entre nós. Não é incrível que o Criador do Universo, o Verbo que deu ordem ao caos tenha se tornado tão frágil quanto um bebê? E aqui novamente me faltam palavras para expressar tamanho assombro.

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2016

O começo de um novo ano sempre traz a oportunidade de reflexão e mudanças. Há tempos deixei de fazer promessas de ano novo, pois é sempre uma enorme frustração quando não conseguimos cumpri-las. Mas começar o ano ao seu lado foi motivo de grande alegria, filho. E eu estaria mentindo se não confessasse que sua vida me traz as mais altas expectativas. Cada menino que vejo na rua me faz imaginar você crescendo. Nesses davaneios você está sempre sorrindo, brincando e nos surpreendendo com perguntas e declarações inusitadas (daquelas que só as crianças fazem).  Te amo a cada dia mais e estou ansiosa pra conhecer o menino Pedro, o adolescente Pedro, o jovem Pedro e por fim o homem que um dia você vai se tornar. E é justamente a minha esperança de que você se torne uma pessoa íntegra, madura, equilibrada e verdadeiramente cristã que me faz repensar a minha vida a cada novo dia. Que este ano que se inicia seja cheio de aprendizado pra você e pra nós, filho! Que com a Graça do Pai caminhemos a cada novo dia com mais fé, amor e esperança.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

7 meses!

Oi, filho,

Exatamente 7 meses se passaram desde que te conhecemos! Mais da metade de um ano é um marco e tanto, não? E embora você ainda seja um bebê frágil com um chorinho que me lembra um recém-nascido, já é possível perceber a passagem do tempo ao observar seu pescoço duro, seus movimentos rápidos com as mãos, seu olhar atento ao mundo ao seu redor. E apesar de estar contigo o tempo inteiro, eu também me espanto com seu tamanho! Já está com 74 cm (tamanho de bebê de um ano!).

A cada dia que passa você se torna mais curioso e gira a cabeça todo o tempo para observar o que está à sua volta. Sua habilidade de segurar as coisas está ficando cada dia maior e se a gente se distrái você já faz a maior bagunça puxando forros de mesa e derrubando tudo que está em cima. Apesar de ser bem apegado à mim e ao seu pai você tem se tornado bem sociável. Dificilmente recusa o colo de alguém e já frequenta a salinha infantil na igreja.

Há poucos dias você aprendeu a firmar a coluna quando senta e já fica alguns segundos sentado sozinho. Ao ser colocado de bruços você tenta engatinhar e às vezes fica bem frustrado quando não sai do lugar, mas em poucos segundos toca de roda e começa a explorar o que lhe cerca.

Nadar está entre as suas atividades preferidas, já que você adora água. E nem precisa ser aquecida! Nesses dias quentes te demos banhos gelados e você adorou. E ao entrar pela segunda vez em nossa piscina ultra-gelada você só reclamou na hora de sair :) Frio é algo que passa longe nesses momentos de empolgação debaixo d'água. Seu pai já está prevendo que em pouquíssimo tempo você vai virar um frequentador assíduo da área de lazer do prédio. Difícil vai ser tirar você de lá :)

Seus dentinhos de baixo já estão enormes e essa semana os dois dentes de cima começaram a dar sinais de que vão sair. Esses têm sido dias penosos pra você porque a gengiva está bem inchada e dolorida. Mas muito em breve vai ficar mais fácil mastigar suas frutas preferidas:)

Começamos sua introdução alimentar há um mês e graças a Deus você aceitou bem os alimentos. Ainda come pouco, mas está engolindo rapidinho. Já tem até alguns alimentos preferidos. Moranga você nunca recusa, e se for amassadinha no feijão então, você faz a festa. Abacaxi você só comeu uma vez, mas deu sinais de ter gostado bastante. Era só sua avó tirar da sua boca pra você dar um gritinho.

E por falar em grito, os seus são muito estridentes e já viraram sua marca registrada. Quando está impaciente com alguma coisa você dá um grito tão alto e tão irritado que seu pai e eu morremos de rir.Você também é um bebê muito sorridente e distribui sorrisos em todo lugar. Mas o charme que costuma jogar para adultos você retém ao encontrar uma criança. É uma coisa curiosa, mas só de ouvir um nenê conversar ou gritar você começa a chorar e a fazer biquinho.  É um choro doído, daqueles que vem lá de dentro do peito.

Poucas coisas te fazem chorar assim, e nenhuma delas têm a ver com algum desconforto físico. Mesmo quando, por acidente, deixamos você esbarrar em algum lugar e ficamos super preocupados em ter te machucado você nunca chora. Mas basta te colocar no berço em um momento em que você quer colo pra você abrir o berreiro.

Quando ri,  é capaz de iluminar tudo à sua volta porque seu sorriso abrange também seus olhos, filho.  Suas gargalhadas estão a cada dia mais espalhafatosas. Seu bom-humor dificilmente é afetado. Alguns vizinhos que pouco te conhecem já lhe apelidaram de bebê sorridente ou bebê alto-astral. Basta encontrar alguém no elevador e você já dispara a sorrir e a fazer gracinhas. Se a pessoa te dá atenção, aí você não cabe em si de empolgação :D

Mesmo quando está com sono, com calor e até com fome, você abre aquele sorrisão ao menor sinal de afeto e carinho. Você tem se tornado um bebê bem expressivo em relação ao que sente e faço votos de que continue assim. E quando aprender a falar, que você  consiga se expressar e não retenha as coisas para si como fazem os adultos que têm medo de revelar o que são. Que você nunca duvide do quanto é amado e que essa certeza de aceitação te faça uma pessoa livre.

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Nos últimos dois meses muitas coisas importantes aconteceram em nossas vidas e nesse seu sétimo mês-versário eu gostaria de registrá-las aqui.

A primeira delas foi a conclusão e defesa da minha dissertação de mestrado há pouco mais de um mês. Eu não tenho palavras suficientes que expressem minha alegria, contentamento, realização e alívio com essa conclusão, filho. O mestrado foi um desafio que me fiz duvidar muito da minha capacidade no meio do caminho. Depois que você nasceu eu cheguei a pensar várias vezes que não seria capaz de concluí-lo. Foram muitas páginas escritas depois de várias noites em claro com você no colo. Algumas coisas eu cheguei a ditar pro seu pai digitar enquanto eu te amamentava.

À medida em que meu prazo limite se aproximava, eu me sentia mais abatida e com uma sensação de fracasso. Mas o Senhor renovou minhas forças, me capacitou e me deu uma rede de apoio incrível nessa jornada. E quando o dia da temida defesa finalmente chegou eu me sentia tranquila, com a sensação de dever cumprido. Saí de lá realizada e até com vontade de tentar um doutorado em breve :)

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Já o seu batismo aconteceu há menos de duas semanas e foi muito legal! Por ter crescido em uma igreja batista eu não fui batizada quando era criança e sempre considerei o batismo infantil desnecessário. Mas ao nos tornarmos presbiterianos, seu pai e eu começamos a pensar no assunto e decidimos batizar você.

Se ainda havia alguma resistência de nossa parte quanto à isso, ela caiu por terra no dia em que você foi batizado. Nosso pastor explicou que não batizamos crianças por temermos que elas vão para o inferno caso não sejam batizadas, mas o fazemos porque acreditamos que a Aliança que Deus tem comigo e com seu pai, Ele também tem com você. O batismo é uma afirmação da nossa fé e da nossa esperança de que sua vida também pertence a Ele. E por meio do seu batismo, seu pai e eu nos comprometemos publicamente a sermos testemunhas fiéis do amor de Cristo na sua vida.  E naquele momento de afirmação da nossa esperança e compromisso, a presença Dele estava bem perceptível confirmado em nossos corações o quanto somos por Ele amados :)

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À medida em que o final do ano se aproxima eu sinto um misto de empolgação e gratidão pelo ano que se passou e pela proximidade do Natal. Vai ser maravilhoso celebrarmos o nascimento do nosso Senhor com você nos braços, filho. Obrigada por tornar a nossa vida tão mais interessante :) Te amo muito!