terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A beleza de Deus

Mais uma reflexão que quero guardar no coração e no blog:

fonte: Portal Ultimato - Por Luiz Fernando dos Santos *

“Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1.26).

Michelangelo definiu a beleza como a purificação do supérfluo, ou seja, a beleza é a realização do essencial, nos remete à essência do ser, daquilo que é. A beleza é a base unificadora do ser. Sem a beleza, não existe bondade nem verdade. Algo para ser bom, além de verdadeiro, tem de ser belo. Algo que seja verdade tem de ser bom e só pode ser belo. Como diria Dionísio o areopagita no séc. v: “A verdade, o bem e a beleza são três lâmpadas ardentes de fogo e uma não vive sem a outra.”

Vivemos numa sociedade em crise em relação ao lugar da beleza em nosso mundo. Confunde-se esteticismo com beleza. Por isso, a nossa sociedade conseguiu divorciar a estética da ética, procurando assim maquiar a própria existência. Este divórcio entre ética e estética, entre beleza e verdade, beleza e bondade, se verifica desde a Queda de Adão e Eva e só fez aumentar o fosso entre as realidades. O pecado é a suprema fealdade. O pecado desestrutura, desorganiza, cria caos e confusão, nos aprisiona, e avilta a nossa dignidade. A sociedade de consumo é também a sociedade do supérfluo e do descartável, nada mais resiste à ditadura da estética; quando passa a moda, o que era belo não é mais. Logo, a verdade e a bondade também se derretem sob a bandeira do relativismo. É assim com a noção de direitos e deveres.

Os homens e mulheres em situação de rua são ícones que dão forma a esta realidade esquizofrênica que separa beleza, verdade e bondade. A “feiura” de seus rostos sofridos e ameaçadores. O odor quase insuportável de seus corpos submetidos às múltiplas violências do tempo, das privações, das drogas, do desprezo e das próprias opções equivocadas na vida. A perturbadora presença deles ameaçando a nossa paz revela o quanto estamos alienados.

Jamais teremos verdadeira paz, nunca nos encontraremos em real segurança, jamais desfrutaremos de maneira libertadora e gozosa dos legítimos bens desta vida, enquanto continuarmos gerando pela superfluidade homens e mulheres que fiquem à margem da sociedade e da vida, como massa sobrante. Levantar muros, colocar cercas elétricas, construir condomínios fechados, criar grupos que reivindiquem direitos e etc. não resolvem muita coisa. Na verdade, apenas maquiam a realidade, não atingem o âmago do problema. A solução de Deus já existe. Apesar da Queda de Adão e sua expulsão do jardim de delícias e belezas no Éden, a imagem e semelhança de Deus continuou sendo plasmada em cada homem e mulher nascidos neste mundo. Esta imagem e semelhança, por si só, configuram o altíssimo valor e dignidade da pessoa humana. Esta “Imago Dei” é o reflexo da indefectível e da esplendorosa beleza de Deus. Esta dignidade é tão espetacular, tão estupenda, tão maravilhosa, que o próprio Filho de Deus não recusou assumi-la. Jesus Cristo veio a este mundo como verdadeiro homem, imagem Deus. Então, que coisas como cristãos autênticos podemos então fazer?

1. Reconhecer esta beleza de Deus escondida nos rostos sofridos de cada homem e mulher, sem exceção, preferencialmente nos pobres, nos mais vulneráveis, nos que estão privados inclusive de sua cidadania plena, como os moradores de rua.

2. Abrir mão do supérfluo, das maquiagens sociais, das “palavras de ordem” vazias de significado, dos discursos falaciosos, do bom mocismo do homem cordial que desde o império emperram o desenvolvimento do Brasil.

3. Engajar-se. Esta é a palavra. Como cristãos nosso engajamento passa pelo amor fraterno, pela solidariedade generosa, pelo voluntariado abnegado, pelo compromisso com a justiça do Reino e pelo desejo do “Belo”, da beleza que eleva os nossos corações. Beleza, que como a verdade, liberta.

4. Respeitar os que divergem de nossas convicções e de nossa leitura da realidade e do mundo. Estar disponíveis e generosos para o diálogo franco, aberto, construtivo, deixando-nos interpelar e questionar. Afinal de contas, temos mesmo que “estar preparados para dar as razões de nossa esperança” (1 Pe. 3.15).

5. Buscar construir juntos, pois, para fazer o bem, todos são bem vindos.
Concluindo, em sua obra “O Idiota”, de maneira magistral, Fiodor Dostoiévski escreve: “A beleza salvará o mundo. E não há nem pode haver nada de mais belo que Cristo. Ele identifica a beleza e Deus.”

Leia mais
A beleza salvará o mundo (Alderi Matos de Sousa)
Jesus e a terra (James Jones)
Rookmaaker: arte e mente cristã


* Sobre o autor: Luiz Fernando Dos Santos
É pastor-mestre da Igreja Presbiteriana Central de Itapira (SP).
Textos publicados: 15 [ver]

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

"Seu Google, nós existimos" - Ressonâncias

Tenho pensado muito em usar esse espaço do blog para "guardar" alguns tesouros com os quais me deparo, muitas vezes até por acaso. A ideia é fazer do blog uma coletânea de pensamentos que me inspiram e que eu gostaria de reler sempre.

Inauguro a ideia com as ressonâncias de um texto que me tocou profundamente, escrito pela admirável Eliane Brum.

"É também a capacidade de imaginar um mapa, de fora e de dentro, que nos define, já que a primeira cartografia de cada um é o corpo. Depois, a casa onde evoluímos em nossa geografia íntima. É triste que os mapas de nossas vidas estejam cada vez mais restritos, mais tacanhos, cheios de barreiras e de senhas, ao refletir esse mundo que vai se apequenando pelo medo do mundo de quase todos os outros. Cada vez mais nosso mapa inclui menos gente, restrito aos interesses territoriais da família ou nem isso, e acaba na porta da rua. Os muros que erguemos internamente deveriam nos escandalizar tanto quanto aqueles que separavam – e separam – os povos no embate da história. Os muitos muros fincados na forma de vidros escuros, portas gradeadas, cercas eletrificadas, as concretas e as subjetivas, são um aviso também de que não reconhecemos todos os outros como parte do nosso mapa. E de que para nós é mais natural desejar um pequeno lago individual que um rio que mata a sede de muitas aldeias. Ao contrário das crianças das favelas de Calcutá, temos sido maus construtores de pontes". 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Querida Mims,

Há mais de seis meses eu recebi a notícia trágica do seu acidente e me parece que foi ontem. A sensação de perplexidade, o susto e o coração acelerado ainda estão bem presentes todas as vezes que penso em você. 

Acho que o dia do seu velório foi um dos mais tristes da minha vida. Eu não conseguia acreditar que era a sua morte que todos estávamos chorando. Aliás, eu nem conseguia chorar. Ficava andando de um lado para o outro na esperança de fugir da dor intensa que estava dentro de mim. 

Tantas conversas deixamos interminadas... Lembra que da última vez que nos vimos foi preciso  interromper o assunto pela metade porque tínhamos chegado na porta da sua casa? Você tentando me convencer a não sair do jornal por causa do mestrado, enquanto eu apresentava mil argumentos para te provar que era muita responsabilidade ao mesmo tempo... A última coisa que você me disse antes de sair do carro foi:

- "Eu sei que é muita coisa, amiga, mas sei também que você dá conta". 

Quando você desceu eu senti aquela dorzinha que me dava todas as vezes que nos despedíamos e logo veio me veio o pensamento: "Queria tanto que ainda nos encontrássemos todos os dias...". 
Se tinha algo capaz de me fazer ir feliz para a faculdade era a certeza de encontrar você, Manu e Celinha por lá. Você não sabe o quanto foi doído voltar da Noruega e não tê-las como colegas de classe. Cheguei a ficar meio depressiva e nem gostava de descer pro pátio na hora do intervalo porque sempre que estava lá, me vinham as lembranças das nossas conversas, risadas e canções...

Lembra do dia em que nos sentamos na rodinha e começamos a cantar MPB? A lua estava linda naquela noite e a gente pagou o maior micão. Mas eu nem ligava, porque a felicidade de estar com amigas de alma era maior do que a vergonha de mostrar minha falta de afinação :P

Essa mesma felicidade da época da faculdade me acompanhou durante todo o ano em que trabalhávamos de frente uma pra outra. Acho que você não fez ideia do quanto nossos almoços tornavam minha rotina de trabalho mais leve. Aliás, era uma enorme frustração quando não podíamos almoçar juntas...

Até as viagens chatíssimas à trabalho se tornavam mais leves quando nos encontrávamos. Você acompanhando "seu deputado" e eu acompanhando "o meu". As duas mal-humoradas por ter de perder o fim de semana na estrada :)

E foi exatamente por causa do estresse que a sua rotina de trabalho pesadíssima te gerava que eu fiquei tão feliz quando você arranjou outro trabalho. Nossa, eu vibrei muito aqui em casa com o Fred. Mal sabíamos que seria em uma viagem motivada pelo novo emprego que você sofreria aquele acidente...

Voltei ao campus V na semana passada e não pude conter as lágrimas no momento em que pisei ali. As lembranças doeram demais. A mesma coisa acontece todas as vezes que invento de almoçar no Campanhola...

Mas essa dor que acompanha as lembranças me incomoda bastante porque tratam-se de lembranças felizes!

Acho que sem perceber, comecei a construir um monumento à sua morte, sabe? Como se ela fosse capaz de solapar a sua vida e tudo o que o contato entre as nossas vidas representou pra mim! Alimentar isso seria um desrespeito à sua memória e uma incoerência com a fé cristã. Porque eu acho que você já sabe, mas eu preciso repetir pra mim mesma que a ressurreição é a base da minha fé...

É por isso que de hoje em diante eu quero caminhar sorrindo, mesmo quando a saudade apertar. Sei que a dor pela sua partida vai continuar me acompanhando. Mas quero aprender a cultivar sorrisos pela sua vida e pela personalidade maravilhosa que o Senhor Deus lhe deu. Quanta inspiração para todos nós que tivemos a chance de conviver contigo! Obrigada, de coração, por ter compartilhado uma parte da sua caminhada comigo! Vou me lembrar de você com carinho e gratidão enquanto eu viver.

Com isso em mente, escrevo essa carta para me despedir de você. Queria muito ter tido a chance de dizer adeus e reafirmar o quanto você era importante pra mim antes da sua partida.  Mas isso não foi possível e talvez tenha sido melhor assim... 

Até porque, da última vez em que nos falamos pelo telefone (quatro dias antes do seu acidente), nos despedimos da forma mais legal possível: combinando nosso próximo encontro! Por isso vou acalentar diariamente a esperança de te encontrar com aquele sorriso lindo quando chegar a minha hora de partir. 

Amo muito você,

Um abraço (daqueles de urso bem apertado que você sabia dar tão bem), 

Erica 




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sossegai

[Marcos 4:35-41, Lucas 8:22-25 e Mateus 8:23-27]


"Ó Mestre o mar se revolta, as ondas nos dão pavor, 
O céu se reveste de trevas, não temos um Salvador. 
Não se Te dá que morramos, podes assim dormir?
Se a cada momento nos vemos, sim prestes a submergir!

[coro] 
As ondas atendem ao meu mandar, sossegai;
Seja o encapelado mar, a ira dos homens o gênio do mal,
Tais águas não podem a nau tragar,
Que leva ao Senhor Rei do céu e mar!
Pois todos ouvem o meu mandar, sossegai, sossegai,
Convosco estou para vos salvar, sim sossegai!
 

Mestre na minha tristeza, estou quase a sucumbir, 
A dor que perturba minha alma, eu peço Te vem banir. 
De ondas do mal que me encobrem, quem fará sair?. 
Pereço sem Ti ó meu Mestre, vem logo vem me acudir. 

Mestre chegou a bonança, em paz eis o céu e o mar, 
O meu coração goza calma, que não poderá findar. 
Fica comigo ó meu Mestre, dono da terra e céu. 
E assim chegarei bem seguro, ao porto destino meu"


Horatio Richmond Palmer (1834-1907) 
Mary Ann Baker ( 1831 -1881) 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

E se

Fred e eu estamos muito alegres com a compra do nosso apartamento e não vemos a hora de nos mudarmos. Também estamos gratos pela forma como as coisas aconteceram e pelo fato de realizarmos o sonho da casa própria bem antes do que esperávamos. Deus é bom!

O apartamento supera em muito nossas expectativas para o nosso primeiro imóvel e isso também tem nos deixado felizes. Mas também me faz refletir sobre o perigo de colocar minha alegria, contentamento e gratidão nas coisas externas...

Tanto que fiquei pensando se essa alegria que estamos sentindo se daria se estivéssemos comprando um apartamento mais simples ou se tivéssemos de morar de aluguel por mais tempo. Como o se não existe, obviamente não temos a resposta dessa pergunta.

Mas o fato de refletir sobre ela aumentou o desejo no meu coração de um dia poder dizer como Paulo que "aprendi a estar alegre em toda e qualquer situação" (Filipenses 4:12). Esse desejo reflete o anseio da minha alma de estar aninhada no colo do Pai e me alegrar Nele...

Vivemos tempos de consumismo exacerbado e infelizmente muito da teologia que se propaga por aí dá mais ênfase nas vitórias, conquistas e aquisições materiais do que no Evangelho da Cruz. Lamentável. E ao mesmo tempo falacioso e oco.

Quero vida plena, abundante, alegria firmada na rocha. Não quero colocar minhas esperanças em nada que não valha a pena. Quero gratidão profunda pela Vida que tenho Nele. Quero aprender a carregar a minha Cruz e segui-Lo pelo caminho, mesmo quando as estradas forem tortuosas.

Pode parecer masoquismo, mas eu sei que no fim da estrada a Esperança brilha como o sol da manhã depois de noites tempestuosas.

E em meio a esses pensamentos descobri por acaso uma música do Stênio Március que fala exatamente sobre isso. Faço minhas as palavras dele:

E Se
Stênio Március

A figueira não floresce
Não há fruto na videira
O produto da oliveira mente

Rios, campos não produzem
O curral está vazio
O aprisco está deserto

Tudo isso se passando e o profeta mesmo assim vai se alegrando em Deus

Mas e se fosse comigo
Pra quê mesmo que eu vivo
Onde está minha alegria?

E se a dor for minha sina
Será que ainda faço rima
Canto alegre a melodia?

E se eu perdesse tudo será que contudo me alegraria em Deus?

Eu quero ser, não quero ter
Eu quero crer, não quero ver

Que minha alegria seja tão somente me lembrar de Ti, meu Deus!
Viver e só de Ti viver
Morrer ansioso por te ver
É minha oração
É assim que eu queria ser



quarta-feira, 25 de setembro de 2013

como la cigarra

Há tempos venho ansiando pelo silêncio como um sedento no deserto anseia por água. Muitos acontecimentos, mudanças, alegrias, dores, correrias .... e nessa roda viva que leva a gente de um lado pro outro sinto falta de um porto seguro.

É que A Voz que me guia não fala fora do silêncio. Ela é sempre gentil e muito educada. Hoje eu clamei por ouvi-La e como resposta ouvi  "Cala-te", "aquieta-te", "silencia". Estou tentando fazer isso desde cedo e não tem sido fácil!

Mesmo na quietude da minha casa meus pensamentos giram como um redemoinho e constato que sou uma tagarela. Os últimos dias foram muito tensos e agora que o furacão de emoções passou, sinto os efeitos de uma ressaca emocional.

E na busca pelo silêncio interior, ouço uma das músicas mais lindas que já encontrei. E como ela me ajuda a silenciar ;)




PS: Fred e eu estamos comprando nosso apartamento :) Estou ansiosíssima pela mudança. Não vejo a hora de ter meu piano em casa de novo!!!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

:(

Há quase cinco meses minha querida Mim's se foi, mas eu ainda me sinto perplexa com a realidade da morte dela. A junção das palavras morte e Mim's ainda não faz nenhum sentido na minha cabeça. E quando páro pra pensar no tempo que se passou, fico ainda mais perplexa ao refletir sobre o que significa o mundo e a minha vida sem ela.

Sonho tanto com a Mims, e são sempre sonhos doídos que me enchem de tristeza e angústia durante os dias que os sucedem. Sinto como se meu coração estivesse sendo comprimido desde que ela se foi. Pergunto-me se um dia essa dor vai ficar mais suportável.

Ainda me faltam palavras para descrever o que penso e sinto, e nessa incapacidade de compreender ou descrever, tento tocar a vida e ignorar a dor. Sem sucesso, claro.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Oração e aflição

"As imagens que refletem a vida interior funcionam como uma corrente de lava incandescente, fugindo da concepção do mundo do nosso tempo. O fluxo líquido e incandescente terminou por cristalizar-se, engendrando a pedra a ser lapidada, ou seja, a observação do inconsciente, como diria Carl G. Jung. Memórias ancestrais estão engavetadas no inconsciente profundo. A compreensão da oração seria cega, se não levasse em conta as pulsões interiores que nos comandam: indignação, conflitos, revolta, inconformismo, medo do desconhecido, raiva, ódio, impotência , para nos enganar e desorientar.

“Toda oração começa com uma aflição” (Karl Barth). E também uma disposição de topar com percepções profundas e empolgantes, retendo-se muitas vezes, com assombro, em descobertas sobre a interioridade profunda. Vivemos à beira de abismos. A oração ensina sobre a necessidade de estar pronto para ouvir a voz de Deus, e não as vozes interiores de nossa alma. Somente com a oração nos aproximamos da obra de Deus em favor de nossa humanidade desnorteada e combalida. Cada um de nós, se nos aproximamos do empenho de Deus em salvar, percebe que uma primeira coisa é necessária: precisamos que Deus nos salve de nós mesmos.

Porque somos escravos da razão, e isso nos condena a caminhar entre dificuldades aparentemente insuperáveis, ou a continuamente escalar montanhas sucessivas. Quando chegamos ao pico de uma, adiante veremos outra para ser escalada. Quando chegamos ao pico da outra, à frente haverá mais outra. Uma montanha mais alta sempre nos chamará e nos convidará a chegar ao cume. “Pois é assim que vivemos, escalando montanhas e sempre procurando subir aos montes mais elevados” (Larrañaga). Somos condenados à aflição, transtornos e inquietude permanentes, porque oramos em favor de nós mesmos, e nunca conseguimos satisfazer anseios mais profundos sem Deus.

Destinados a caminhar por toda a vida, “porque a cada caminho percorrido surge outro para percorrer” (Agostinho), não podemos parar, nem nos abster, porque um imperativo categórico empurra sempre para a frente, não nos deixando em paz, empurrando-nos para uma odisseia que não vai acabar nunca. Enquanto não há um ato libertador, o Espírito é um vento bravo que não cessa, na direção de uma "terra prometida" que parece nunca chegar. Um ser humano é um arco retesado com a flecha apontando para estrelas inatingíveis.

O desconhecido seduz, por isso o ser humano rompe barreiras e irrompe em regiões ignotas. Gosta de decifrar enigmas, e de preencher espaços vazios, sem saber porque. Sempre atormentado, vive na inquietude, nunca se acalma. Forças incompreensíveis o arrastam para o infinito, enquanto busca o absoluto, completo, acabado em definitivo. Por isso, pensa sobre si mesmo, e sobre as razões de sua existência, sempre procurando respostas para as perguntas de um questionário que nunca chega ao fim. É preciso orar, e descansar na espera de Deus".


Leia mais
Deus espera por nossas orações!
A oração nossa de cada dia
Práticas devocionais




Derval Dasilio
É pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e autor do livro “O Dragão que Habita em Nós” (2010).

Textos publicados: 70 [ver]
Site: http://www.derv.wordpress.com

terça-feira, 20 de agosto de 2013

esperança

Hoje uma pessoa muito querida foi morar com Jesus, o nosso amado e admirado Pastor Jessé. Homem de fibra, honesto, íntegro, reto. Em tempos como esses em que os lobos estão à solta se fazendo passar por cordeiros e enganando muita gente, Pr. Jessé foi um exemplo de servo fiel, do qual podemos falar com admiração e reverência: "Combateu o bom combate, guardou a fé".

Após meses lutando contra o câncer e depois de um tenso período de internação marcado por muitas dores e agonia, nosso Pr. querido finalmente encontrou a paz. Creio, do fundo do coração, que já neste momento encontra-se aninhado nos braços do Pai.

Ele certamente deixará muitas saudades...

A morte nos afronta mais uma vez... mas a esperança da ressurreição está bem presente em meu coração.

"É preciso olhar para a realidade presente à luz da realidade futura", diz o Pr. Ricardo Barbosa em uma pregação sobre Apocalipse.

E o que podemos esperar do futuro?

O dia em que "Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou". (Ap. 21:3-4)


Espero ansiosamente por este dia.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

26

Sempre fico sensível no dia do meu aniversário, mas hoje não estou. Me sinto bem (apesar de uma ligeira gripe que parece ter se apossado de mim com a queda abrupta de temperatura).

Me sinto feliz e muito amada. Obrigada a todos que fazem parte da minha vida e a tornam tão especial. Pessoas são tesouros eternos!

Inevitável não pensar na minha queridas Mim's e na saudade que sinto dela. No ano passado comemoramos juntas o meu aniversário e ela me deixou um recadinho lindo no fb. Hoje choro quando leio.

E é justamente essa saudade enorme que sinto da Mim's que me faz querer ter pertinho de mim todos os meus amados. Quero aproveitar ao máximo a companhia de cada um deles, meus tesouros eternos e peculiares ....

quarta-feira, 17 de julho de 2013

fragmentos filosóficos


                                    "Tristeza é o desejo de um bem ausente"
    Tomás de Aquino

segunda-feira, 8 de julho de 2013

desacelerando

Quero menos pressa e mais leveza na minha vida. 

Quero mais qualidade e menos quantidade.

Quero remover os excessos (de pensamentos, de conversas, de coisas, de comidas, de atividades). 

Sinto muita saudade do silêncio e vou fazer o que estiver ao meu alcance para silenciar internamente. Preciso ouvir a Voz que me conduz por pastos verdejantes. 

Mas também quero músicas e muita dança. 

Todavia, não abro mão dos momentos austeros, das lágrimas e do lamento. 

Também quero risos, sorrisos, abraços e beijos. 

Tudo à seu tempo.

Quero paz. 

Se para conseguir isso eu tiver de abrir mão de compromissos, atividades, dinheiro, consumo, tarefas e mais tarefas, que assim seja. 

O que eu não quero e não posso é continuar deixando a ansiedade me sufocar. 

Quero vida plena. 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O texto que eu queria ter escrito


"Um texto aos jovens que vão construir um outro jornalismo
A maioria dos leitores deste blog é formada por jovens jornalistas, gente que acabou de chegar ao mercado ou que ainda está na faculdade. Tenho o privilégio de escrever para uma geração que vai construir um outro jornalismo. Sim, esta é a missão de vocês. Este é o privilégio de vocês.

Na noite da quinta-feira 13 de junho de 2013, após acompanhar diversos relatos da truculência policial pelas ruas de São Paulo diante de uma manifestação até então pacífica, de ver imagens de agressões covardes por parte da PM, eis que leio a chamada principal da edição digital da revista Veja: “Com ação rigorosa, PM impediu depredação da Paulista”. Não me surpreendeu. Nas redes sociais, pipocaram reações de indignação contra a revista, inclusive de jornalistas, gente se dizendo com nojo, cobrando uma cobertura mais honesta.

A questão é: se este não é mais o jornalismo que se quer, já não está na hora de se construir outro?
A indignação é legítima, mas não basta apenas se indignar contra a velha imprensa. É hora de buscar uma nova.
E não se trata de utopia. Hoje, sobram meios, tecnologias, infinitas possibilidades de criação. Na mesma noite tensa de quinta em São Paulo, já comecei a perceber ares deste novo jornalismo. Muitos jovens indo às ruas fazer seus registros, com textos e imagens. Cobertura ampla, diversa.

Também não adianta viver chorando os passaralhos, os jornais que deixam de existir aos muitos por aí. É triste, claro, ver amigos sendo demitidos, postos de trabalho sendo extintos, mas será que os velhos jornais em crise são a nossa única alternativa?

Por mais que grandes grupos de comunicação definhem e possam vir a morrer, o jornalismo não morre com eles. Porque a busca por informação vai existir sempre, porque as boas histórias terão leitores interessados sempre. Só precisamos aprender a contá-las de formas diferentes.

Os jovens jornalistas podem se resignar e achar que tudo é uma grande merda sem jeito. Ou podem começar a pensar outros caminhos. Parece castigo, mas é um privilégio, sim."

fonte: www.desilusõesperdidas.blogspot.com.br

Assino embaixo, Duda Rangel! Amei o texto! Compartilho da mesma ideia! E sonho em participar como profissional ou pesquisadora desse novo modo de fazer jornalismo!

domingo, 2 de junho de 2013

Graças a Deus pela ressurreição de Jesus e pela esperança de que Nele seremos ressuscitados também!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Emily e Rishi

 Vi essa série de fotos semana passada num jornal norueguês e me apaixonei. Às vezes passo um tempão revendo a sequência. Foram tiradas de uma garotinha chamada Emily e seu amigo, Rishi, um filhote de orangotango. O caso deles foi de amor à primeira vista e à medida em que foram crescendo a amizade também cresceu. As últimas fotos da série são atuais, agora os dois têm seis anos de idade, mas segundo as legendas que as acompanham no jornal, podem ser as últimas fotos dos dois juntos já que em 18 meses Rishi pesará mais de 65 kg e será perigoso para Emily ficar tão perto dele. Me emocionei demais com essas imagens porque me lembram de uma promessa feita há muitos anos e registrada pelo profeta Isaías: "O lobo e o cordeiro comerão juntos, e o leão comerá feno, como o boi, mas o pó será a comida da serpente. Não farão nem mal nem destruição em todo o meu santo monte", diz o Senhor. Isaías 65:25 
















quinta-feira, 23 de maio de 2013

maio é um mês belíssimo, não?








PS: Um dia realizo meu sonho de ter uma câmera profissional e fazer um curso de fotografia. Até lá, vou me deliciando com essas fotos amadoras que não conseguem captar toda a beleza que tem fisgado meus olhos nesses dias. Tamanha exuberância de cores e formas é remédio pra alma e colírio pros olhos, não?

segunda-feira, 13 de maio de 2013

anseio pela eternidade

Uma das coisas que mais tem ressoado em meus pensamentos desde a morte da Mim's é o absurdo da morte em si. Por mais que saibamos que ela vai acometer a todos nós, a perplexidade experimentada diante da ausência definitiva de alguém querido é grande demais.

Há duas semanas eu estava chorando a morte cerebral da Mim's, e não conseguia acreditar que ela estava indo embora. Hoje, a impressão que tenho é que se passaram anos desde aquele dia pelo número de vezes que esses pensamentos estiveram presentes. Por outro lado, a dor e a perplexidade diante do fato são igualzinhas, de modo que também tenho a impressão de que o tempo não passou.

Tudo muito estranho e difícil de digerir.

E nessas horas faz mais sentido ainda pensar que o Senhor colocou o desejo pela Eternidade no coração do homem. Do contrário, por que nos sentiríamos tão perplexos diante de algo absolutamente esperado e certeiro?

Graças a Deus pela ressurreição de Jesus Cristo e pela esperança de que um dia ressuscitaremos também! Vai ser bom demais matar as saudades de tanta gente querida e desfrutar da comunhão com o Criador e com a criação por toda a Eternidade!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

:(

À medida em que o dia vai dando lugar à noite que já se aproxima a passos largos, o vento começa a soprar suavemente e a brisa que entra pela janela traz uma sensação agradável. O barulho do tráfego macula o silêncio do meu lar e vem juntar-se ao barulho de dentro de mim. As pendências pedem para ser finalizadas. Espalhados pelos sofás da sala os livros abertos dão sinais de leituras inacabadas...

Lá fora tudo parece perfeitamente normal: o som das buzinas, as cores vibrantes do semáforo, o movimento uniforme do eixo anhanguera que segue sempre na mesma direção... Eventualmente luzes vermelhas indicam a proximidade de uma ambulância (elas aparecem com cada vez mais constância nesses dias loucos).

Tudo aparentemente normal,
   tudo tão diferente...

O aperto da saudade provocado pela ausência dela é como uma faca dentro de mim. As cenas imaginárias do acidente. 

O grito de susto (que provavelmente nem chegou a ser emitido),  a ausência de cores e de sons... O silêncio...

A ambulância que se aproxima à 1000km/h. 
O momento do resgate. 
A corrida que já estava perdida antes mesmo de começar. 

Batidas frenéticas de um coração tão grande e tão cheio de amor. 

O interromper das batidas/ 

PAUSA!

O grito de dor e perplexidade.

A liberdade absoluta de quem partiu. 

A dor, a tristeza e a saudade de quem ficou. Um até logo travestido de adeus.  As lágrimas. As lembranças. A música que voltou. 

E na mesa do escritório as pendências que reclamam urgências que já nem são tão urgentes assim...


domingo, 31 de março de 2013

O mestre vive


O sol de domingo ainda não havia raiado e elas, as duas Marias, já se dirigiam para o sepulcro do Mestre. Há tempos o seguiam e, para a tristeza de seus corações, haviam testemunhado também a execução de Jesus. Mesmo de longe viram a forma execrável como ele fora tratado pelos soldados.

Seus corações se comprimiram de pura dor ao verem o senhor ser desprezado por aqueles homens vis. Ó céus, como desejaram que Deus o salvasse e mostrasse a todos o quanto estavam errados! Mas nada, absolutamente nada, havia sido feito para impedir a morte do Mestre. Nem mesmo seus discípulos estiveram com ele em seu momento derradeiro. Todos o haviam abandonado ...

Elas também viram o momento em que ele, depois de muito sofrer, expirou. Tais imagens estavam vívidas em suas mentes, e por causa delas seus corações estavam pesados. Como era possível que aquele homem que lhes estendera a mão e lhes revelara sobre o amor de Deus não mais estivesse vivo?

Enquanto se dirigiam para o local em que Jesus fora sepultado, guardavam silêncio.

Mas em seus pensamentos, imagens vívidas de Jesus teimavam em aparecer. Seus ensino cheio de autoridade ainda ressoava em suas memórias. Seu sorriso terno, sua voz que podia ser extremamente gentil para convidar as crianças a se sentarem em seu colo, ou cheia de indignação ao se deparar com a falta de amor entre os homens, estava bem nítida em suas memórias.

Todavia, o que mais marcara o tempo em que passaram com Jesus foi a misericórdia com a qual foram por ele tratadas. Nunca antes um homem judeu lhes tratara com tanto respeito. Afinal, elas eram mulheres. E enquanto tais, já estavam acostumadas a serem excluídas, rebaixadas e desprezadas.

Jesus lhes dera um lugar legítimo entre os seus seguidores e abrira precedentes para que outros homens as tratassem com dignidade. E isso elas jamais iriam esquecer.

Durante todo o dia de sábado, tudo o que fizeram foi chorar e lamentar a morte do Mestre. Mal esperaram o dia terminar, e foram logo fazer compras para prestarem a Ele sua última homenagem.

Queriam embalsama-lo, chorar a sua morte mais uma vez, e expressar, ainda que diante de um corpo inerte, seu amor e a sua gratidão.

Por isso tinham tamanha urgência em chegar ao sepulcro.

Mas ao chegarem lá levaram um grande susto! A pedra que guardava a tumba fora retirada e havia um ser resplandecente sobre ela! Os guardas que não hesitaram em escarnecer e zombar de Jesus ficaram como mortos ao verem o anjo.

No entanto, ele se dirigiu a elas e disse:"Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está mais aqui, pois vive!"

As duas Marias mal podiam acreditar no que ouviram! “O mestre estava vivo!”, diziam entre si. Em sua corrida para anunciar a boa nova aos discípulos, nem perceberam que um homem se aproximava. As lágrimas de alegria embotavam seus olhos, e elas mal podiam enxergar.

De repente, aquele peso que esmagara seus corações desde que Jesus fora crucificado dera lugar à leveza, à alegria e ao entusiasmo. O mestre vivia! A dor e a tristeza podiam e deviam sair! O mestre vivia!!!

Mas o desconhecido estava agora muito perto, e apesar de terem os olhos inchados, elas conseguiram enxergar. Aquele homem que estava de pé diante delas era Jesus!

A alegria da descoberta de que o mestre estava vivo só foi superada pela alegria de vê-lo, tocá-lo, abraça-lo e adorá-lo! Tocaram em suas chagas, e com alívio constataram que elas não mais lhe causavam dor. Abraçaram Jesus e sentiram a vida que exalava do seu corpo quente, pulsante, vivo!

O sol de domingo agora irradiava seu brilho tênue. Os pássaros cantavam alegres, e em seu íntimo aquelas mulheres sabiam que algo de sobrenatural acontecera naquele lugar. Enquanto durasse esse mundo sabiam que para sempre aquele domingo seria especial. Uma nova vida lhes fora apresentada, e elas não tardaram em aceita-la.

O Mestre está vivo!

(Mt 28:1-10)