domingo, 31 de março de 2013

O mestre vive


O sol de domingo ainda não havia raiado e elas, as duas Marias, já se dirigiam para o sepulcro do Mestre. Há tempos o seguiam e, para a tristeza de seus corações, haviam testemunhado também a execução de Jesus. Mesmo de longe viram a forma execrável como ele fora tratado pelos soldados.

Seus corações se comprimiram de pura dor ao verem o senhor ser desprezado por aqueles homens vis. Ó céus, como desejaram que Deus o salvasse e mostrasse a todos o quanto estavam errados! Mas nada, absolutamente nada, havia sido feito para impedir a morte do Mestre. Nem mesmo seus discípulos estiveram com ele em seu momento derradeiro. Todos o haviam abandonado ...

Elas também viram o momento em que ele, depois de muito sofrer, expirou. Tais imagens estavam vívidas em suas mentes, e por causa delas seus corações estavam pesados. Como era possível que aquele homem que lhes estendera a mão e lhes revelara sobre o amor de Deus não mais estivesse vivo?

Enquanto se dirigiam para o local em que Jesus fora sepultado, guardavam silêncio.

Mas em seus pensamentos, imagens vívidas de Jesus teimavam em aparecer. Seus ensino cheio de autoridade ainda ressoava em suas memórias. Seu sorriso terno, sua voz que podia ser extremamente gentil para convidar as crianças a se sentarem em seu colo, ou cheia de indignação ao se deparar com a falta de amor entre os homens, estava bem nítida em suas memórias.

Todavia, o que mais marcara o tempo em que passaram com Jesus foi a misericórdia com a qual foram por ele tratadas. Nunca antes um homem judeu lhes tratara com tanto respeito. Afinal, elas eram mulheres. E enquanto tais, já estavam acostumadas a serem excluídas, rebaixadas e desprezadas.

Jesus lhes dera um lugar legítimo entre os seus seguidores e abrira precedentes para que outros homens as tratassem com dignidade. E isso elas jamais iriam esquecer.

Durante todo o dia de sábado, tudo o que fizeram foi chorar e lamentar a morte do Mestre. Mal esperaram o dia terminar, e foram logo fazer compras para prestarem a Ele sua última homenagem.

Queriam embalsama-lo, chorar a sua morte mais uma vez, e expressar, ainda que diante de um corpo inerte, seu amor e a sua gratidão.

Por isso tinham tamanha urgência em chegar ao sepulcro.

Mas ao chegarem lá levaram um grande susto! A pedra que guardava a tumba fora retirada e havia um ser resplandecente sobre ela! Os guardas que não hesitaram em escarnecer e zombar de Jesus ficaram como mortos ao verem o anjo.

No entanto, ele se dirigiu a elas e disse:"Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está mais aqui, pois vive!"

As duas Marias mal podiam acreditar no que ouviram! “O mestre estava vivo!”, diziam entre si. Em sua corrida para anunciar a boa nova aos discípulos, nem perceberam que um homem se aproximava. As lágrimas de alegria embotavam seus olhos, e elas mal podiam enxergar.

De repente, aquele peso que esmagara seus corações desde que Jesus fora crucificado dera lugar à leveza, à alegria e ao entusiasmo. O mestre vivia! A dor e a tristeza podiam e deviam sair! O mestre vivia!!!

Mas o desconhecido estava agora muito perto, e apesar de terem os olhos inchados, elas conseguiram enxergar. Aquele homem que estava de pé diante delas era Jesus!

A alegria da descoberta de que o mestre estava vivo só foi superada pela alegria de vê-lo, tocá-lo, abraça-lo e adorá-lo! Tocaram em suas chagas, e com alívio constataram que elas não mais lhe causavam dor. Abraçaram Jesus e sentiram a vida que exalava do seu corpo quente, pulsante, vivo!

O sol de domingo agora irradiava seu brilho tênue. Os pássaros cantavam alegres, e em seu íntimo aquelas mulheres sabiam que algo de sobrenatural acontecera naquele lugar. Enquanto durasse esse mundo sabiam que para sempre aquele domingo seria especial. Uma nova vida lhes fora apresentada, e elas não tardaram em aceita-la.

O Mestre está vivo!

(Mt 28:1-10)