quinta-feira, 26 de setembro de 2013

E se

Fred e eu estamos muito alegres com a compra do nosso apartamento e não vemos a hora de nos mudarmos. Também estamos gratos pela forma como as coisas aconteceram e pelo fato de realizarmos o sonho da casa própria bem antes do que esperávamos. Deus é bom!

O apartamento supera em muito nossas expectativas para o nosso primeiro imóvel e isso também tem nos deixado felizes. Mas também me faz refletir sobre o perigo de colocar minha alegria, contentamento e gratidão nas coisas externas...

Tanto que fiquei pensando se essa alegria que estamos sentindo se daria se estivéssemos comprando um apartamento mais simples ou se tivéssemos de morar de aluguel por mais tempo. Como o se não existe, obviamente não temos a resposta dessa pergunta.

Mas o fato de refletir sobre ela aumentou o desejo no meu coração de um dia poder dizer como Paulo que "aprendi a estar alegre em toda e qualquer situação" (Filipenses 4:12). Esse desejo reflete o anseio da minha alma de estar aninhada no colo do Pai e me alegrar Nele...

Vivemos tempos de consumismo exacerbado e infelizmente muito da teologia que se propaga por aí dá mais ênfase nas vitórias, conquistas e aquisições materiais do que no Evangelho da Cruz. Lamentável. E ao mesmo tempo falacioso e oco.

Quero vida plena, abundante, alegria firmada na rocha. Não quero colocar minhas esperanças em nada que não valha a pena. Quero gratidão profunda pela Vida que tenho Nele. Quero aprender a carregar a minha Cruz e segui-Lo pelo caminho, mesmo quando as estradas forem tortuosas.

Pode parecer masoquismo, mas eu sei que no fim da estrada a Esperança brilha como o sol da manhã depois de noites tempestuosas.

E em meio a esses pensamentos descobri por acaso uma música do Stênio Március que fala exatamente sobre isso. Faço minhas as palavras dele:

E Se
Stênio Március

A figueira não floresce
Não há fruto na videira
O produto da oliveira mente

Rios, campos não produzem
O curral está vazio
O aprisco está deserto

Tudo isso se passando e o profeta mesmo assim vai se alegrando em Deus

Mas e se fosse comigo
Pra quê mesmo que eu vivo
Onde está minha alegria?

E se a dor for minha sina
Será que ainda faço rima
Canto alegre a melodia?

E se eu perdesse tudo será que contudo me alegraria em Deus?

Eu quero ser, não quero ter
Eu quero crer, não quero ver

Que minha alegria seja tão somente me lembrar de Ti, meu Deus!
Viver e só de Ti viver
Morrer ansioso por te ver
É minha oração
É assim que eu queria ser



quarta-feira, 25 de setembro de 2013

como la cigarra

Há tempos venho ansiando pelo silêncio como um sedento no deserto anseia por água. Muitos acontecimentos, mudanças, alegrias, dores, correrias .... e nessa roda viva que leva a gente de um lado pro outro sinto falta de um porto seguro.

É que A Voz que me guia não fala fora do silêncio. Ela é sempre gentil e muito educada. Hoje eu clamei por ouvi-La e como resposta ouvi  "Cala-te", "aquieta-te", "silencia". Estou tentando fazer isso desde cedo e não tem sido fácil!

Mesmo na quietude da minha casa meus pensamentos giram como um redemoinho e constato que sou uma tagarela. Os últimos dias foram muito tensos e agora que o furacão de emoções passou, sinto os efeitos de uma ressaca emocional.

E na busca pelo silêncio interior, ouço uma das músicas mais lindas que já encontrei. E como ela me ajuda a silenciar ;)




PS: Fred e eu estamos comprando nosso apartamento :) Estou ansiosíssima pela mudança. Não vejo a hora de ter meu piano em casa de novo!!!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

:(

Há quase cinco meses minha querida Mim's se foi, mas eu ainda me sinto perplexa com a realidade da morte dela. A junção das palavras morte e Mim's ainda não faz nenhum sentido na minha cabeça. E quando páro pra pensar no tempo que se passou, fico ainda mais perplexa ao refletir sobre o que significa o mundo e a minha vida sem ela.

Sonho tanto com a Mims, e são sempre sonhos doídos que me enchem de tristeza e angústia durante os dias que os sucedem. Sinto como se meu coração estivesse sendo comprimido desde que ela se foi. Pergunto-me se um dia essa dor vai ficar mais suportável.

Ainda me faltam palavras para descrever o que penso e sinto, e nessa incapacidade de compreender ou descrever, tento tocar a vida e ignorar a dor. Sem sucesso, claro.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Oração e aflição

"As imagens que refletem a vida interior funcionam como uma corrente de lava incandescente, fugindo da concepção do mundo do nosso tempo. O fluxo líquido e incandescente terminou por cristalizar-se, engendrando a pedra a ser lapidada, ou seja, a observação do inconsciente, como diria Carl G. Jung. Memórias ancestrais estão engavetadas no inconsciente profundo. A compreensão da oração seria cega, se não levasse em conta as pulsões interiores que nos comandam: indignação, conflitos, revolta, inconformismo, medo do desconhecido, raiva, ódio, impotência , para nos enganar e desorientar.

“Toda oração começa com uma aflição” (Karl Barth). E também uma disposição de topar com percepções profundas e empolgantes, retendo-se muitas vezes, com assombro, em descobertas sobre a interioridade profunda. Vivemos à beira de abismos. A oração ensina sobre a necessidade de estar pronto para ouvir a voz de Deus, e não as vozes interiores de nossa alma. Somente com a oração nos aproximamos da obra de Deus em favor de nossa humanidade desnorteada e combalida. Cada um de nós, se nos aproximamos do empenho de Deus em salvar, percebe que uma primeira coisa é necessária: precisamos que Deus nos salve de nós mesmos.

Porque somos escravos da razão, e isso nos condena a caminhar entre dificuldades aparentemente insuperáveis, ou a continuamente escalar montanhas sucessivas. Quando chegamos ao pico de uma, adiante veremos outra para ser escalada. Quando chegamos ao pico da outra, à frente haverá mais outra. Uma montanha mais alta sempre nos chamará e nos convidará a chegar ao cume. “Pois é assim que vivemos, escalando montanhas e sempre procurando subir aos montes mais elevados” (Larrañaga). Somos condenados à aflição, transtornos e inquietude permanentes, porque oramos em favor de nós mesmos, e nunca conseguimos satisfazer anseios mais profundos sem Deus.

Destinados a caminhar por toda a vida, “porque a cada caminho percorrido surge outro para percorrer” (Agostinho), não podemos parar, nem nos abster, porque um imperativo categórico empurra sempre para a frente, não nos deixando em paz, empurrando-nos para uma odisseia que não vai acabar nunca. Enquanto não há um ato libertador, o Espírito é um vento bravo que não cessa, na direção de uma "terra prometida" que parece nunca chegar. Um ser humano é um arco retesado com a flecha apontando para estrelas inatingíveis.

O desconhecido seduz, por isso o ser humano rompe barreiras e irrompe em regiões ignotas. Gosta de decifrar enigmas, e de preencher espaços vazios, sem saber porque. Sempre atormentado, vive na inquietude, nunca se acalma. Forças incompreensíveis o arrastam para o infinito, enquanto busca o absoluto, completo, acabado em definitivo. Por isso, pensa sobre si mesmo, e sobre as razões de sua existência, sempre procurando respostas para as perguntas de um questionário que nunca chega ao fim. É preciso orar, e descansar na espera de Deus".


Leia mais
Deus espera por nossas orações!
A oração nossa de cada dia
Práticas devocionais




Derval Dasilio
É pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e autor do livro “O Dragão que Habita em Nós” (2010).

Textos publicados: 70 [ver]
Site: http://www.derv.wordpress.com