segunda-feira, 24 de novembro de 2014

tempo, tempo, tempo...

Oi, filho,

Esse fim de semana eu senti você mexer. Foi algo bem leve e discreto, mas diferente de tudo o que já senti, por isso acho que era mesmo você!

Tenho andado tão ansiosa pra senti-lo que fico sonhando acordada com os dias em que você vai ouvir nossas vozes e responder com o corpo! Também estou ansiosa pra te segurar, te abraçar, te conhecer... Conto cada semana como uma a menos até você chegar! 

Mas sábado, enquanto eu separava as roupinhas do seu primo Gabriel que a Josy te deu de presente, me deu um aperto no peito. Senti uma saudade enorme do Biel recém-nascido e percebi o quanto o tempo passou rápido! Parece que ainda ontem estávamos todos na maternidade esperando ansiosos pela chegada dele, e agora ele já é esse menininho sapeca que corre de um lado pro outro sem parar!

A saudade virou nostalgia e eu lembrei de um monte de gente querida que não está mais aqui...

É filho, o tempo voa, e nem sempre a gente tem sabedoria pra apreciar o que está à nossa volta. 
Nos frustramos tanto quando nossas expectativas falham ou quando a vida não corresponde aos nossos ideais que facilmente nos esquecemos de ser gratos pelas dádivas que nos cercam. E elas são tantas! 

É filho, é preciso tomar cuidado pra não deixar a vida simplesmente passar... 




segunda-feira, 10 de novembro de 2014

maternidade X carreira profissional

Tudo começa com duas listras rosas. No momento em que você as enxerga, sabe que sua vida vai sofrer uma reviravolta sem precedentes, e sem retornos. Numa fração de segundos milhares de pensamentos cruzam a sua mente e seu corpo recebe o impacto de toda aquela adrenalina.

Palpitação, náusea, taquicardia, pernas trêmulas... Alguns pensamentos chegam a ser catastróficos: "será que minha vida acabou?", "nunca mais vou dormir direito?", "vou ter uma carreira?", "nunca serei uma boa mãe!", "e se meu filho (a) me odiar?", "serei eu responsável por traumatizar para sempre um ser humano?", etc, etc, etc.

Depois daqueles segundos que mais pareceram uma eternidade, você volta a si. Olha no espelho. Investiga sua barriga. Ainda nenhum sinal de que um novo ser humano está confortavelmente se instalando ali.

Mas dentro de você alguma coisa mudou.

O começo da gestação pode ser um período bem incômodo. Os hormônios te fazem sentir em uma TPM sem fim, as náuseas não dão sossego, e aquele sono que parece infinito não te deixa produzir como antes.

Você se sente uma ameba. Sua produtividade não para de cair e sua energia parece ter te abandonado pra sempre.

Você se sente insegura no trabalho. Afinal, nunca foi tão desmotivada e improdutiva. De repente, até as coisas mínimas requerem um total uso de energia e você não sabe de onde tirar forças.

Tudo o que você quer é dormir.

Quando sucumbe a esse desejo, você dorme horas à fio. Ao se levantar, se sente como uma ameba. Marido trabalha daquele tanto e tudo o que você faz é dormir.

Mas se pudesse olhar por dentro do seu corpo veria que as coisas não são bem assim. O que era antes uma célula microscópica está agora tomando a forma de um embrião. E como ele cresce rápido! Seu corpo está formando a placenta que vai acomodar esse embrião pelos próximos meses. E como isso requer energia!

Talvez o fato de você se sentir tão cansada não seja tão ruim assim... a natureza é sábia e dá sinais de que é preciso diminuir o passo.

Nesse meio tempo, sua mente não para de trabalhar. E em meio ao turbilhão de pensamentos cotidianos, você agora tem uma nova preocupação, pois sabe que sua vida vai mudar.

Será que é sensato se punir por isso? Não seria melhor aproveitar o momento e tentar relaxar? Será que a produtividade no trabalho é o que define a sua identidade?

Ser mãe nunca foi fácil, mas para as mulheres que se aventuram nesta empreitada em pleno século XXI, as preocupações sobre a carreira podem se tornar um grande fardo. Dediquei anos de estudo árduo para um dia ser uma boa profissional e desde que engravidei, um dos meus principais receios é o de não conseguir conciliar maternidade e carreira.

Sinto medo de ficar fora do mercado por um tempo e nunca mais conseguir voltar. Também receio voltar ao trabalho cedo demais e ser negligente na criação do meu filho. Como equacionar tudo isso?

Não há uma receita de bolo e muitas mulheres conseguem voltar ao trabalho bem rápido depois de darem à luz. Outras abrem mão de suas carreiras para se dedicarem exclusivamente aos filhos. Ainda não sei qual será o meu caso, mas quero deixar a ansiedade de lado e viver plenamente esse momento que é único.

Sim, a gravidez tem muitos incômodos, mas é também um excelente período de reflexões sobre aquilo que está por vir.  Quero viver tudo isso com paz de espírito e com a certeza de que a minha identidade não está no meu êxito profissional ou no tamanho da minha produtividade.

Por pura Graça do Autor da Vida um novo ser se forma dentro de mim e isso me ensina o quanto sou fraca e ao mesmo tempo forte.

Obrigada, pai, por escolher seres frágeis como nós para sermos seus cooperadores na formação de uma vida. Ensina-me o que preciso aprender e capacita-me para cuidar bem dessa vida que me foi confiada por Ti. Dá-me as forças que preciso para realizar as tarefas diárias e para concluir com excelência o meu mestrado. Mas livra-me de basear minha identidade nessas realizações. Que ela esteja somente em teu amor por mim. Em nome de Jesus, amém. 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

É menino!

Oi, filho,

Ontem tivemos a confirmação de que você é mesmo um rapazinho. E dos mais grandinhos :) Só tem 17 semanas e já mede 21 cm :) Se eu pudesse, faria ultrassonografia toda semana pra acompanhar seu crescimento e movimentos. É muito legal dar uma espiadinha em você e eu confesso que não vejo a hora de ter você embaladinho nos meus braços :) 

Com a confirmação do fato de você ser um rapaz, seu pai e eu já começamos a sonhar alto. Ele chegou até a me pedir pra assistir aos jogos de futebol pra ele começar a te "doutrinar" desde o útero! Olha só que coisa...Ele já fica sonhando em comprar uma bicicleta pra ele e outra pra você o acompanhar desde bem pequenino...  Eu, por outro lado, fico desejando um menino companheiro, dócil, amigo, daqueles que não se cansam de fazer companhia pra mãe coruja e babona, sabe? 

Mas em meio a tantos devaneios, receio que nossas expectativas sufoquem você. Sabemos que você terá uma personalidade única e maravilhosa, já que, como todo ser humano, foi criado à Imagem de Deus. Sabemos também que você terá inúmeros dons e talentos, muitos dos quais não podemos sequer imaginar agora. Mas sabemos também que muitas das suas escolhas podem ser diferentes das nossas escolhas. Minha oração de hoje é pra que nós saibamos respeitar isso. Que sejamos pais amorosos, mas no sentido exato da palavra amor, que nada tem a ver com esse sentimentalismo barato e mal-acabado que tenta se vender hoje em dia. 

Peço a Deus que nos dê sabedoria pra te criar com muita dedicação e pra que saibamos transmitir os valores que realmente importam e abrir mão de preferências pessoais que não são determinantes na formação do seu caráter. Queremos te respeitar como a pessoa que você é e não como aquela que gostaríamos que fosse. 

Perdoe-nos quando falharmos nisso, porque certamente o faremos. Principalmente eu, que sou super autoritária e intolerante às diferenças. Mas acredite quando digo que não vejo a hora de conhecer você do jeitinho que você é e virá a ser. Não tenha medo de ser você mesmo, filho. Temos certeza que a sua chegada será uma benção pra nossa família simplesmente por ser a sua chegada. 

E que o nosso Senhor, o Deus criador que decidiu por pura Graça te trazer à existência, nos dê sabedoria pra te amar, te educar e te admoestar. E que, no tocante às escolhas que realmente importam, você possa escolher o Caminho da Vida. 

Quanto ao mais, que você não se canse de nos surpreender!

Te amo, 

Sua mãe.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Diário de gravidez - 16 semanas

Há exatos dois meses e vinte dias eu descobri que estava grávida. Enxergar duas listrinhas rosadas no teste de gravidez de farmácia trouxe consigo um tornado de sentimentos. Entre eles: medo, angústia, ansiedade, um pouco de pânico, confusão. A gravidez não foi indesejada, já que há alguns meses eu vinha pensando nessa possibilidade diariamente e sentia crescer dentro de mim a vontade de ter um bebê. Mas também não foi exatamente planejada, pois Fred e eu não havíamos decidido dar início às tentativas de aumentar nossa família. Por isso, o momento de descoberta foi para mim um momento de muita ansiedade.


Embora todo mundo aprenda na escola como surgem os bebês, descobrir que tem um crescendo dentro da gente é uma grande surpresa. E antes de engravidar, Fred e eu ouvimos várias histórias de casais que tentaram por meses ou anos até que finalmente receberam a boa notícia. Sabemos que as chances da concepção acontecer são altas na nossa idade, mas sabemos também que toda concepção é um grande milagre e que esse milagre não bate na porta de todas as pessoas.


No entanto, lidar com o choque inicial da descoberta não foi tão fácil pra mim. As variações hormonais, a ansiedade em relação ao término da minha dissertação de mestrado, os enjôos do primeiro trimestre, tudo isso causou um boom de emoções negativas e eu fiquei um pouco depressiva.


Medos diversos se instalaram no meu coração. Tais quais: não ser uma boa mãe, perder toda a minha privacidade e liberdade com a chegada do bebê, ficar viúva e ter de criar um filho (a) sozinha, etc. Tem também aquele medinho do filho da gente tomar decisões erradas na vida e nos arrastar para um mar de sofrimento e angústias. Sei que isso soa um pouco dramático, mas faz parte do meu perfil "Maria do Bairro" viver sempre com muito drama :P


Agora que os enjôos, a sonolência, a indisposição e a irritação passaram eu tenho me sentido cada dia melhor e mais disposta. Tenho esperanças de concluir minha dissertação antes do parto e a expectativa da chegada do bebê já começa a despertar em mim muita alegria e gratidão.

É incrível pensar no quanto somos agraciados com o dom da Vida. Porque, por mais que possamos ser "colaboradores" nessa tarefa de conceber e hospedar um feto, é espetacular acompanhar o desenvolvimento de um ser humano dentro da gente sabendo que a gente mesmo tem pouca função nesse processo tão bonito.

A cada ultrassonografia Fred e eu nos surpreendemos com o crescimento do bebê e com os movimentos dele dentro do útero. Ainda tão pequeno ele já se mexe o tempo todo! Nos sentimos muito agraciados porque Ele, o autor da Vida, confiou a nós a tarefa de cuidar de um novo Ser que Ele quis trazer à existência. É um privilégio e tanto :)

Claro que ainda sinto alguns dos temores listados acima, mas tenho experimentado confiar na Graça Daquele que é o Autor da vida. Sei que muitos dos meus temores podem se concretizar, mas sei também que a existência do meu bebê já foi planejada por Ele desde antes da fundação do mundo. E sei que meu bebê foi feito por Ele e para Ele e que antes de ser meu filho (a), ele pertence à Ele.

Gente, não há nada mais reconfortante que isso! E sinceramente, sem acreditar nisso eu jamais poderia ser mãe. Por isso me sinto a cada dia mais animada com a chegada de mais um membro na nossa família. Estou ansiosa para conhecê-lo (a) e muito feliz com a recepção calorosa que a notícia da gravidez teve entre nossa família e amigos. É bom demais saber que tem muita gente querida que já se derrete pelo nosso (a) pequeno (a) antes mesmo dele (a) ter chegado ao nosso mundo.

Termino o post com um versículo que recebi da minha mãe e da minha prima Talita no comecinho da gravidez. Ainda estava bem apavorada nesse dia, por isso as palavras de Deus a Josué soaram como um alento no meu coração:

"Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares." Josué 1:9 





quinta-feira, 19 de junho de 2014

Meu texto publicado na Ultimato :)

Não conseguia entender o fato de sentir a garganta apertada, tampouco o esforço hercúleo que teve de fazer a fim de segurar as lágrimas. Acabara de se sentar no sofá para assistir à abertura da Copa e já sentia um misto de emoções que só lhe acometiam em momentos muito especiais.
Depois de passar meses ressentida com o Mundial de futebol que desalojou milhares do seu povo, colocou em risco a vida e a integridade de tantos trabalhadores e expôs outros milhares de crianças ao abuso e exploração sexual, ela não podia aceitar esse misto de emoção e patriotismo exacerbados que começou a sentir na abertura do controverso torneio.
Até tentou resistir ao fluxo contraditório de emoções dizendo para o marido que estava torcendo pela desclassificação do Brasil! Mas bastou soar o apito de início do primeiro jogo e ela não tardou a se unir aos amigos na torcida efusiva pela “seleção canarinho”.
Seria lavagem cerebral feita pelos veículos de comunicação que se empenharam tanto para convencer o povo de que o Brasil só tem a ganhar ao sediar a Copa?
No entanto, uma outra compreensão a atingiu no momento em que ouviu o seguinte comentário da avó: “Minha primeira Copa foi em 1958. Você nem pensava em nascer e eu já estava torcendo e gritando para o Brasil ser campeão de futebol”.
De repente, uma alegria pelas vitórias da seleção brasileira misturada às lágrimas que vertera pelas amargas derrotas presenciadas desde a infância se apoderou dela. Finalmente compreendeu que para ela e outros tantos era muito mais que futebol!
Eram memórias que faziam parte de sua história e da história de muitos os que, desde tempos remotos, se reuniam com entes queridos em volta da televisão para torcer pela vitória do Brasil. Histórias essas que costumam vir acompanhadas de mesa cheia, risadas e apostas acerca do desempenho do Brasil e de outras seleções.
Histórias de pessoas que se ressentem da corrupção que assola sua pátria, mas que no momento de torcer pela seu time, se sentem inflamados de um orgulho de ser brasileiro que raramente experimentam em dias normais.
Rodeada de amigos e familiares, ela finalmente percebeu que essa história não iria desaparecer por causa das críticas (justificadas)  à série de irregularidades que precederam a realização da Copa no Brasil. Concluiu que é muito mais que uma taça de hexa que está em jogo nesses gramados.
Sentiu-se em paz ao perceber, finalmente, que torcer pela vitória da seleção verde-amarela não era uma traição aos seus ideais. Até porque sonhar pela vitória do Brasil em campo não exclui o sonho muito maior de ver seu país “fazer bonito” em vários outros quesitos.
Mas fez uma breve oração para que na próxima Copa do Mundo mais brasileiros e brasileiras tenham boas memórias para colecionar. Pediu a Deus consolo e esperança a todos os que tiveram suas vidas desrespeitadas em decorrência do Mundial. Pois o Deus que criou nossos craques, dotando-os do extraordinário talento pra dar um “show de bola”, não fica indiferente à injustiça e à opressão.
Pediu a Ele que mostrasse como proteger as crianças que estão agora ainda mais expostas à exploração sexual no turismo. Se for pro Brasil ser campeão, que seja também fora dos gramados ao se tornar exemplo de proteção e cuidado pelos mais vulneráveis.
Pediu ainda pra que esse sentimento nacionalista que nos une na Copa possa durar para além dela e que juntos, brasileiros e brasileiras que têm nas mãos as chances de construir um país melhor e mais justo, não se esquivem de sua responsabilidade de “pregar boas-novas aos pobres, proclamar liberdade aos cativos, libertar os oprimidos e anunciar o ano aceitável do Senhor”.
Para ler na página original, clique aqui e conheça o Portal Ultimato Jovem

quinta-feira, 22 de maio de 2014

tempo de falar e tempo de calar

Tempo de falar e tempo de calar... tão difícil ter o discernimento entre ambos.

Há coisas não ditas que crescem tanto a ponto de se tornarem tóxicas para o corpo e a alma. Mas há aquelas que são ditas e só trazem mais dor e sofrimento para quem fala e pra quem ouve.

Como saber?

Difícil ser gente, viu.

sábado, 17 de maio de 2014

cheesecake à seis mãos

Em meio a um período marcado por crises, dores e anseios com meu mestrado recebemos a visita dos meus sogros de BH essa semana. Apesar de amar a rotina silenciosa que Fred eu temos juntos, sempre me empolgo com a nova dinâmica de uma casa com hóspedes.Tenho boas memórias de uma infância marcada por férias com casa cheia de primos que moravam longe e visitas constantes à casa da vovó. Como era bom! 

Ontem recebemos também a visita dos meus pais, o que mudou de novo a dinâmica da casa. Enquanto os homens foram para a varanda tomar cerveja e jogar conversa fora, as mulheres foram pra cozinha fazer cheesecake. 

Auxiliada e orientada por minha mãe e sogra durante o preparo de uma receita totalmente nova pra mim (e pra elas), senti o acolhimento que a presença delas sempre me traz. Aquela segurança de que a minha inexperiência como dona de casa/cozinheira vai ser recompensada pela experiência delas. Nessas horas, sinto-me como uma criança de novo, mas ao contrário de outras situações em que detesto perder o controle,  nesses momentos fico aliviada ao receber todo o cuidado e orientação delas. Me permito sentir todo o conforto e segurança da infância, aquela certeza de que tem "um adulto tomando conta" e de que elas sabem o que estão fazendo. 

Gosto da vida adulta e da responsabilidade de tomar decisões e sei o quanto já amadureci nesses dois anos de casada. Mas acho importante abrir mão do controle e me deixar ser cuidada, orientada, auxiliada. 

Meu desafio diário é me atirar com essa mesma confiança nos braços Daquele que me criou! Entregar a ele toda dor, todo peso, toda a angústia e preocupação. Me deixar ninar pelo cuidado Dele e não duvidar de que Ele se importa!

Agradeço a Deus pelos pais e sogros que Ele me deu, pois eles me ajudam a vislumbrar um pouquinho do Seu amor paternal e cuidadoso e a superar esse medo que surge ocasionalmente de me deixar ser cuidada. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Carrasca de mim mesma

Sou do tipo de pessoa que:

se estressa antes de escolher um filme para assistir por medo de não gostar da escolha e perder tempo vendo qualquer bobagem;

sente arrepios de raiva e uma vontade quase incontrolável de aspirar o chão toda vez que percebe um mísero fio de cabelo maculando a superfície branca do piso;

se sente relapsa nos dias em que não arruma a cama ou deixa pilhas de louça se acumularem;

fica incomodada com cesto de roupa sujo cheio de roupas sujas ou com armário cheio de roupas limpas que ainda não foram passadas;

(Sabe aquelas propagandas de produtos de limpeza que invocam a figura da "neura" que assombra donas de casa? Pois é, sou constantemente assombrada por essa maldita!)

Mas além disso, sou também do tipo de pessoa que:

não se acha capaz de ser aprovada em provas ou seleções que tenham outros candidatos;

sempre acredita que não vai superar os desafios acadêmicos e profissionais;

se sente a mais incapaz de todas as pessoas com as quais convive;

se sente em "dívida" com um monte de gente sem um motivo plausível;

tem uma dificuldade enorme para se perdoar por gafes ou erros cometidos com ou sem a intenção de prejudicar outrem;

sempre pensa que fez alguma coisa para magoar alguém quando esse alguém não quer mais manter contato;

tem quase certeza que o avião vai cair ou que o carro vai bater;

espera as piores notícias e tem taquicardia quando o telefone toca fora de hora ou quando percebe alguma alteração da voz do interlocutor;

fica relembrando tragédias, mágoas, períodos de dor e luto e esquece rápido os momentos alegres, a doçura e a delicadeza;

Estou exausta de ser essa pessoa. Quero leveza, liberdade, singeleza, desprentesão simplicidade de espírito e de vida. Quero paz.


sábado, 19 de abril de 2014

Isaías 53

Refletindo muito sobre o fato de "Ele ter levado sobre si as nossas enfermidades".... 


Que profundidade de amor! 


             Quanta Graça, meu Pai! 



                        Ajuda-me a abraçá-la e a lembrar-me deste amor enquanto eu viver. Que a imagem do Cristo Crucificado não seja desfocada pelas coisas secundárias. 

                                                Que a esperança da ressurreição e da renovação da criação sejam cultivadas com muita gratidão hoje e sempre. 


Em nome de Jesus, 
Amém. 



Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do SENHOR?
Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos.
Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.
Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.
Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.

Isaías 53:1-7

domingo, 13 de abril de 2014

as dores nossas de cada dia

"Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas".  Filipenses 4:8

Uma coisa que eu só assimilei depois de entrar na vida adulta foi o quanto nossa caminhada diária é vivida sob várias e múltiplas dores. Um trabalho penoso ou não valorizado, preocupações diversas com entes queridos, problemas relacionais, dificuldades financeiras, as perdas, as mortes, as violências cometidas contra nós por aqueles que amamos e as violências cometidas por nós contra os nossos amados...

Enfim... a caminhada fora do Éden já foi marcada por dores e por muito sofrimento desde o início da humanidade.

Minhas dores fazem parte de quem eu sou e muitas vezes colorem de cinza os meus dias. Não tenho medo de vivê-las em sua plenitude e não faço o menor esforço para me esquivar delas. Eu as aceito como parte intrínseca da minha condição humana.

No entanto, é preciso ter sabedoria para discernir o momento de seguir em frente. Lamentar eternamente essas dores, acalentá-las e dar a elas um lugar maior do que aquele que deveriam ocupar pode ser extremamente danoso.

Às vezes é necessário entrar naquele quarto escuro e viver cada pedacinho da tristeza e do luto que acompanham nossas dores de cada dia. Mas depois é preciso lavar o rosto e seguir em frente com os olhos límpidos e bem abertos à tudo de bom, agradável, justo e belo que ainda existe à nossa volta.

Trazer à mente o que gera esperança pode ser uma boa forma de seguir em frente.

Dá-me, Senhor, o discernimento para saber o momento certo de seguir em frente e a capacidade de trazer à mente tudo aquilo que me dá esperança. Não permita que eu me afogue num lar de auto-comiseração e lamentações. Mas renova diariamente a fé, a esperança e o amor. Em nome de Jesus, amém.