quinta-feira, 22 de maio de 2014

tempo de falar e tempo de calar

Tempo de falar e tempo de calar... tão difícil ter o discernimento entre ambos.

Há coisas não ditas que crescem tanto a ponto de se tornarem tóxicas para o corpo e a alma. Mas há aquelas que são ditas e só trazem mais dor e sofrimento para quem fala e pra quem ouve.

Como saber?

Difícil ser gente, viu.

sábado, 17 de maio de 2014

cheesecake à seis mãos

Em meio a um período marcado por crises, dores e anseios com meu mestrado recebemos a visita dos meus sogros de BH essa semana. Apesar de amar a rotina silenciosa que Fred eu temos juntos, sempre me empolgo com a nova dinâmica de uma casa com hóspedes.Tenho boas memórias de uma infância marcada por férias com casa cheia de primos que moravam longe e visitas constantes à casa da vovó. Como era bom! 

Ontem recebemos também a visita dos meus pais, o que mudou de novo a dinâmica da casa. Enquanto os homens foram para a varanda tomar cerveja e jogar conversa fora, as mulheres foram pra cozinha fazer cheesecake. 

Auxiliada e orientada por minha mãe e sogra durante o preparo de uma receita totalmente nova pra mim (e pra elas), senti o acolhimento que a presença delas sempre me traz. Aquela segurança de que a minha inexperiência como dona de casa/cozinheira vai ser recompensada pela experiência delas. Nessas horas, sinto-me como uma criança de novo, mas ao contrário de outras situações em que detesto perder o controle,  nesses momentos fico aliviada ao receber todo o cuidado e orientação delas. Me permito sentir todo o conforto e segurança da infância, aquela certeza de que tem "um adulto tomando conta" e de que elas sabem o que estão fazendo. 

Gosto da vida adulta e da responsabilidade de tomar decisões e sei o quanto já amadureci nesses dois anos de casada. Mas acho importante abrir mão do controle e me deixar ser cuidada, orientada, auxiliada. 

Meu desafio diário é me atirar com essa mesma confiança nos braços Daquele que me criou! Entregar a ele toda dor, todo peso, toda a angústia e preocupação. Me deixar ninar pelo cuidado Dele e não duvidar de que Ele se importa!

Agradeço a Deus pelos pais e sogros que Ele me deu, pois eles me ajudam a vislumbrar um pouquinho do Seu amor paternal e cuidadoso e a superar esse medo que surge ocasionalmente de me deixar ser cuidada. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Carrasca de mim mesma

Sou do tipo de pessoa que:

se estressa antes de escolher um filme para assistir por medo de não gostar da escolha e perder tempo vendo qualquer bobagem;

sente arrepios de raiva e uma vontade quase incontrolável de aspirar o chão toda vez que percebe um mísero fio de cabelo maculando a superfície branca do piso;

se sente relapsa nos dias em que não arruma a cama ou deixa pilhas de louça se acumularem;

fica incomodada com cesto de roupa sujo cheio de roupas sujas ou com armário cheio de roupas limpas que ainda não foram passadas;

(Sabe aquelas propagandas de produtos de limpeza que invocam a figura da "neura" que assombra donas de casa? Pois é, sou constantemente assombrada por essa maldita!)

Mas além disso, sou também do tipo de pessoa que:

não se acha capaz de ser aprovada em provas ou seleções que tenham outros candidatos;

sempre acredita que não vai superar os desafios acadêmicos e profissionais;

se sente a mais incapaz de todas as pessoas com as quais convive;

se sente em "dívida" com um monte de gente sem um motivo plausível;

tem uma dificuldade enorme para se perdoar por gafes ou erros cometidos com ou sem a intenção de prejudicar outrem;

sempre pensa que fez alguma coisa para magoar alguém quando esse alguém não quer mais manter contato;

tem quase certeza que o avião vai cair ou que o carro vai bater;

espera as piores notícias e tem taquicardia quando o telefone toca fora de hora ou quando percebe alguma alteração da voz do interlocutor;

fica relembrando tragédias, mágoas, períodos de dor e luto e esquece rápido os momentos alegres, a doçura e a delicadeza;

Estou exausta de ser essa pessoa. Quero leveza, liberdade, singeleza, desprentesão simplicidade de espírito e de vida. Quero paz.