quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Diário de gravidez - 16 semanas

Há exatos dois meses e vinte dias eu descobri que estava grávida. Enxergar duas listrinhas rosadas no teste de gravidez de farmácia trouxe consigo um tornado de sentimentos. Entre eles: medo, angústia, ansiedade, um pouco de pânico, confusão. A gravidez não foi indesejada, já que há alguns meses eu vinha pensando nessa possibilidade diariamente e sentia crescer dentro de mim a vontade de ter um bebê. Mas também não foi exatamente planejada, pois Fred e eu não havíamos decidido dar início às tentativas de aumentar nossa família. Por isso, o momento de descoberta foi para mim um momento de muita ansiedade.


Embora todo mundo aprenda na escola como surgem os bebês, descobrir que tem um crescendo dentro da gente é uma grande surpresa. E antes de engravidar, Fred e eu ouvimos várias histórias de casais que tentaram por meses ou anos até que finalmente receberam a boa notícia. Sabemos que as chances da concepção acontecer são altas na nossa idade, mas sabemos também que toda concepção é um grande milagre e que esse milagre não bate na porta de todas as pessoas.


No entanto, lidar com o choque inicial da descoberta não foi tão fácil pra mim. As variações hormonais, a ansiedade em relação ao término da minha dissertação de mestrado, os enjôos do primeiro trimestre, tudo isso causou um boom de emoções negativas e eu fiquei um pouco depressiva.


Medos diversos se instalaram no meu coração. Tais quais: não ser uma boa mãe, perder toda a minha privacidade e liberdade com a chegada do bebê, ficar viúva e ter de criar um filho (a) sozinha, etc. Tem também aquele medinho do filho da gente tomar decisões erradas na vida e nos arrastar para um mar de sofrimento e angústias. Sei que isso soa um pouco dramático, mas faz parte do meu perfil "Maria do Bairro" viver sempre com muito drama :P


Agora que os enjôos, a sonolência, a indisposição e a irritação passaram eu tenho me sentido cada dia melhor e mais disposta. Tenho esperanças de concluir minha dissertação antes do parto e a expectativa da chegada do bebê já começa a despertar em mim muita alegria e gratidão.

É incrível pensar no quanto somos agraciados com o dom da Vida. Porque, por mais que possamos ser "colaboradores" nessa tarefa de conceber e hospedar um feto, é espetacular acompanhar o desenvolvimento de um ser humano dentro da gente sabendo que a gente mesmo tem pouca função nesse processo tão bonito.

A cada ultrassonografia Fred e eu nos surpreendemos com o crescimento do bebê e com os movimentos dele dentro do útero. Ainda tão pequeno ele já se mexe o tempo todo! Nos sentimos muito agraciados porque Ele, o autor da Vida, confiou a nós a tarefa de cuidar de um novo Ser que Ele quis trazer à existência. É um privilégio e tanto :)

Claro que ainda sinto alguns dos temores listados acima, mas tenho experimentado confiar na Graça Daquele que é o Autor da vida. Sei que muitos dos meus temores podem se concretizar, mas sei também que a existência do meu bebê já foi planejada por Ele desde antes da fundação do mundo. E sei que meu bebê foi feito por Ele e para Ele e que antes de ser meu filho (a), ele pertence à Ele.

Gente, não há nada mais reconfortante que isso! E sinceramente, sem acreditar nisso eu jamais poderia ser mãe. Por isso me sinto a cada dia mais animada com a chegada de mais um membro na nossa família. Estou ansiosa para conhecê-lo (a) e muito feliz com a recepção calorosa que a notícia da gravidez teve entre nossa família e amigos. É bom demais saber que tem muita gente querida que já se derrete pelo nosso (a) pequeno (a) antes mesmo dele (a) ter chegado ao nosso mundo.

Termino o post com um versículo que recebi da minha mãe e da minha prima Talita no comecinho da gravidez. Ainda estava bem apavorada nesse dia, por isso as palavras de Deus a Josué soaram como um alento no meu coração:

"Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares." Josué 1:9