quarta-feira, 28 de outubro de 2015

7 meses!

Oi, filho,

Exatamente 7 meses se passaram desde que te conhecemos! Mais da metade de um ano é um marco e tanto, não? E embora você ainda seja um bebê frágil com um chorinho que me lembra um recém-nascido, já é possível perceber a passagem do tempo ao observar seu pescoço duro, seus movimentos rápidos com as mãos, seu olhar atento ao mundo ao seu redor. E apesar de estar contigo o tempo inteiro, eu também me espanto com seu tamanho! Já está com 74 cm (tamanho de bebê de um ano!).

A cada dia que passa você se torna mais curioso e gira a cabeça todo o tempo para observar o que está à sua volta. Sua habilidade de segurar as coisas está ficando cada dia maior e se a gente se distrái você já faz a maior bagunça puxando forros de mesa e derrubando tudo que está em cima. Apesar de ser bem apegado à mim e ao seu pai você tem se tornado bem sociável. Dificilmente recusa o colo de alguém e já frequenta a salinha infantil na igreja.

Há poucos dias você aprendeu a firmar a coluna quando senta e já fica alguns segundos sentado sozinho. Ao ser colocado de bruços você tenta engatinhar e às vezes fica bem frustrado quando não sai do lugar, mas em poucos segundos toca de roda e começa a explorar o que lhe cerca.

Nadar está entre as suas atividades preferidas, já que você adora água. E nem precisa ser aquecida! Nesses dias quentes te demos banhos gelados e você adorou. E ao entrar pela segunda vez em nossa piscina ultra-gelada você só reclamou na hora de sair :) Frio é algo que passa longe nesses momentos de empolgação debaixo d'água. Seu pai já está prevendo que em pouquíssimo tempo você vai virar um frequentador assíduo da área de lazer do prédio. Difícil vai ser tirar você de lá :)

Seus dentinhos de baixo já estão enormes e essa semana os dois dentes de cima começaram a dar sinais de que vão sair. Esses têm sido dias penosos pra você porque a gengiva está bem inchada e dolorida. Mas muito em breve vai ficar mais fácil mastigar suas frutas preferidas:)

Começamos sua introdução alimentar há um mês e graças a Deus você aceitou bem os alimentos. Ainda come pouco, mas está engolindo rapidinho. Já tem até alguns alimentos preferidos. Moranga você nunca recusa, e se for amassadinha no feijão então, você faz a festa. Abacaxi você só comeu uma vez, mas deu sinais de ter gostado bastante. Era só sua avó tirar da sua boca pra você dar um gritinho.

E por falar em grito, os seus são muito estridentes e já viraram sua marca registrada. Quando está impaciente com alguma coisa você dá um grito tão alto e tão irritado que seu pai e eu morremos de rir.Você também é um bebê muito sorridente e distribui sorrisos em todo lugar. Mas o charme que costuma jogar para adultos você retém ao encontrar uma criança. É uma coisa curiosa, mas só de ouvir um nenê conversar ou gritar você começa a chorar e a fazer biquinho.  É um choro doído, daqueles que vem lá de dentro do peito.

Poucas coisas te fazem chorar assim, e nenhuma delas têm a ver com algum desconforto físico. Mesmo quando, por acidente, deixamos você esbarrar em algum lugar e ficamos super preocupados em ter te machucado você nunca chora. Mas basta te colocar no berço em um momento em que você quer colo pra você abrir o berreiro.

Quando ri,  é capaz de iluminar tudo à sua volta porque seu sorriso abrange também seus olhos, filho.  Suas gargalhadas estão a cada dia mais espalhafatosas. Seu bom-humor dificilmente é afetado. Alguns vizinhos que pouco te conhecem já lhe apelidaram de bebê sorridente ou bebê alto-astral. Basta encontrar alguém no elevador e você já dispara a sorrir e a fazer gracinhas. Se a pessoa te dá atenção, aí você não cabe em si de empolgação :D

Mesmo quando está com sono, com calor e até com fome, você abre aquele sorrisão ao menor sinal de afeto e carinho. Você tem se tornado um bebê bem expressivo em relação ao que sente e faço votos de que continue assim. E quando aprender a falar, que você  consiga se expressar e não retenha as coisas para si como fazem os adultos que têm medo de revelar o que são. Que você nunca duvide do quanto é amado e que essa certeza de aceitação te faça uma pessoa livre.

***

Nos últimos dois meses muitas coisas importantes aconteceram em nossas vidas e nesse seu sétimo mês-versário eu gostaria de registrá-las aqui.

A primeira delas foi a conclusão e defesa da minha dissertação de mestrado há pouco mais de um mês. Eu não tenho palavras suficientes que expressem minha alegria, contentamento, realização e alívio com essa conclusão, filho. O mestrado foi um desafio que me fiz duvidar muito da minha capacidade no meio do caminho. Depois que você nasceu eu cheguei a pensar várias vezes que não seria capaz de concluí-lo. Foram muitas páginas escritas depois de várias noites em claro com você no colo. Algumas coisas eu cheguei a ditar pro seu pai digitar enquanto eu te amamentava.

À medida em que meu prazo limite se aproximava, eu me sentia mais abatida e com uma sensação de fracasso. Mas o Senhor renovou minhas forças, me capacitou e me deu uma rede de apoio incrível nessa jornada. E quando o dia da temida defesa finalmente chegou eu me sentia tranquila, com a sensação de dever cumprido. Saí de lá realizada e até com vontade de tentar um doutorado em breve :)

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Já o seu batismo aconteceu há menos de duas semanas e foi muito legal! Por ter crescido em uma igreja batista eu não fui batizada quando era criança e sempre considerei o batismo infantil desnecessário. Mas ao nos tornarmos presbiterianos, seu pai e eu começamos a pensar no assunto e decidimos batizar você.

Se ainda havia alguma resistência de nossa parte quanto à isso, ela caiu por terra no dia em que você foi batizado. Nosso pastor explicou que não batizamos crianças por temermos que elas vão para o inferno caso não sejam batizadas, mas o fazemos porque acreditamos que a Aliança que Deus tem comigo e com seu pai, Ele também tem com você. O batismo é uma afirmação da nossa fé e da nossa esperança de que sua vida também pertence a Ele. E por meio do seu batismo, seu pai e eu nos comprometemos publicamente a sermos testemunhas fiéis do amor de Cristo na sua vida.  E naquele momento de afirmação da nossa esperança e compromisso, a presença Dele estava bem perceptível confirmado em nossos corações o quanto somos por Ele amados :)

***

À medida em que o final do ano se aproxima eu sinto um misto de empolgação e gratidão pelo ano que se passou e pela proximidade do Natal. Vai ser maravilhoso celebrarmos o nascimento do nosso Senhor com você nos braços, filho. Obrigada por tornar a nossa vida tão mais interessante :) Te amo muito!

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Onde repousa a nossa Esperança

Oi, filho,

Um dia enquanto tomávamos banho de chuveiro eu deixei você escorregar levemente. Foram alguns milésimos de segundo em que você deslizou um pouco pra baixo, mas foi tempo suficiente pra assustar a mim e a você, que começou a chorar muito. Depois desse dia demorei a tomar banho de chuveiro com você de novo. A possibilidade de te deixar escorregar me aterrorizou por um tempo.

Um dos maiores temores que enfrento diariamente desde que me tornei mãe é o de não conseguir zelar pela sua integridade física, emocional e espiritual. Minha oração de todos os dias é que eu seja uma mãe diligente e cuidadosa e nunca, NUNCA, negligencie os cuidados com a sua vida, que é o bem mais precioso que já me foi confiado.

Imagino que esse anseio por zelar pela vida dos filhos não seja só meu. Todos os pais e mães deste mundo vivenciam isso todos os dias. Mas, infelizmente, nem todos contam com condições de vida favoráveis ao crescimento e desenvolvimento saudável dos filhos. Vivemos hoje em um mundo marcado por conflitos, pobreza, fome, guerras e taxas de violências altíssimas que acometem alguns países que mesmo não estando em guerra exibem índices de homicídios mais altos do que países que atravessam conflitos armados (é o caso dos índices de homicídios em algumas regiões do Brasil, por exemplo).

Sempre que penso nisso, fico imaginando como é ser mãe em um desses lugares. E nem é preciso imaginar muito longe, já que alguns bairros da nossa cidade exibem taxas altíssimas de criminalidade, o que deixa a tarefa de ser mãe e pai extremamente pesada e aflitiva.

Semana passada fomos bombardeados por notícias avassaladoras acerca da crise migratória atual. Vivemos um momento crítico, já que, desde a Segunda Guerra Mundial não se via um movimento migratório tão grande. As principais causas: guerras, conflitos internos e fome.

Dentre as notícias envolvendo os refugiados uma história chamou a atenção. Ou melhor, uma imagem. O corpo inerte de um garoto sírio de apenas 3 aninhos em uma praia da Turquia foi fotografado e divulgado em ampla escala. Quando vi aquela foto pensei a mesma coisa que pensam todos os pais, mães, tios, tias, avôs, avós ao se depararem com este tipo de tragédia: "E se fosse meu filho/ neto/ sobrinho?".

Você dormia confortavelmente no berço enquanto eu me debulhava em lágrimas pelo luto daquela família. Mais tarde descobri que a família se reduzira à um único membro: o pai, o único sobrevivente de uma tragédia que teve início em sua terra natal e obrigou milhões de outras famílias a empreenderem fugas tão ou mais perigosas na tentativa de preservar o que sobrou de suas vidas, marcadas pelo trauma, pelos abusos, pelo medo e pela violência.

Aquele pobre homem enlutado relatou aos jornais que seus filhos escorregaram de suas mãos quando o bote em que estavam virou. Sua esposa também perdeu a vida naquela jornada tortuosa. Sobrou pra ele a tarefa de enterrar seus queridos.

Fico pensando em quão extrema era a situação de sua família para forçar aquele homem a arriscar a vida dos filhos em uma embarcação tão instável. Fugir do Estado Islâmico e dos terrores da guerra na Síria se tornou crucial para a sobrevivência. Mas se eles escaparam disso com vida, encontraram a morte um pouco adiante de forma tão vil.

Que mundo é esse em que vivemos, filho?  Como prosseguir com esperança diante de tragédias como esta? Como reagir diante de uma dor que está tão distante e, ao mesmo tempo, tão perto? Que é tão alheia e também tão nossa?

É somente no Crucificado que podemos colocar nossa esperança. Pois ao olharmos para a Cruz é impossível nos deparar com um Deus distante ou indiferente. A resposta para o sofrimento humano não nos foi dada, mas somos amparados pela certeza de um Deus que sofre conosco e por nós e que prometeu que um dia colocará fim em todas as nossas mazelas.

Que nossas vidas sejam canções de adoração à este Deus, filho, e que nossas mãos, pés, corpo, alma e coração sejam instrumentos Dele para abençoar muitos. Oremos por todos os refugiados do Oriente Médio, em especial pelas crianças, que já ultrapassam 100 mil. Se os horrores vividos por elas são inimagináveis, eles não se comparam às promessas de restauração e cura feitas por um Deus extremamente amoroso à todos aqueles que choram. Que nossas vidas reflitam esse amor, filho.





quinta-feira, 10 de setembro de 2015

5 meses!

Oi, filho,

Há quase duas semanas você completou cinco meses, mas, só pra variar, eu não consegui atualizar o blog no dia certo. Aliás, "dias certos" pra fazer as coisas já não existem mais nas nossas vidas desde que você chegou por aqui. A gente até tenta planejar alguma coisa, mas tudo depende muito de como você vai se "portar". Confesso que essa falta de rotina às vezes me enlouquece, pois nada como uma previsibilidade pra deixar a gente com a sensação de estar no controle. Mas eu já nem tento fazer rotina pra você porque até hoje todas as tentativas foram frustradas.

A verdade é que eu ainda tenho dificuldades com essa ideia de ter de fazer as coisas nos intervalos das suas sonecas. É que sou muito escrava da exigência da produtividade. E já que agora minha vida se "resume" à ser mãe, eu botei na minha cabeça que tenho de ser uma dona de casa mais produtiva. E com isso quero dizer: manter a casa arrumada, as roupas lavadas, seu quarto organizado, as fotos super organizadas e de quebra conseguir fazer algumas coisas gostosas pro seu pai comer quando chegar do trabalho. Sem falar nas leituras atrasadas que eu gostaria de colocar em dia agora que terminei minha dissertação de mestrado e não sou obrigada a ler somente livros acadêmicos.

Mas nem preciso dizer que faço pouquíssimas dessas coisas que planejo, né? A casa só é arrumada nos dias em que a Inácia está aqui. As roupas ficam sempre super acumuladas. Seu quarto eu consigo arrumar, no máximo, uma vez por semana. Suas milhares de fotos nunca foram organizadas e não conseguimos revelar nenhuma até hoje. Almoço eu só consegui fazer uma vez desde que você nasceu e as leituras continuam picadas e sempre interrompidas pelo seu chorinho ou pelo meu sono que bate forte sempre que tento ler.

Isso tudo porque você é um bebezinho que não se preocupa com meus outros afazeres. Quando acorda, quer colo. Quando sente fome, quer peito e mesmo quando está com todas as necessidades "saciadas" você ainda quer minha atenção toda pra você, o que limita muito meu tempo livre. Aí é que bate a frustração por não ter mais o "controle" da minha vida e por me sentir muito pouco produtiva.

Mas como sabiamente escreveu a Ariane, se cuidar de uma criança fosse pouco o Estado não nos pagaria pra isso durante a licença-maternidade, né?Então por aqui vamos tentando levar a vida com mais leveza, vivendo cada dia de uma vez e tentando aproveitar ao máximo cada segundo.

Lembro-me das minhas preocupações exageradas quando você nasceu. Tudo me deixava aflita, e eu tinha a sensação de que nunca mais conseguiria fazer nada que demandasse minhas mãos, já que você queria colo O TEMPO TODO. Algumas pessoas me disseram que se eu não te acostumasse a ficar no berço, eu nunca mais conseguiria fazer mais nada. Hoje dou risada dessa ideia absurda, e na minha experiência mínima concluí que isso é uma enorme bobagem.

Então agora tento enxergar cada fase como uma fase, pensando que não é preciso ter um jeito "certo" pra fazer tudo porque mesmo que demore, eventualmente você vai dormir a noite inteira e à medida que for crescendo vai se tornando mais independente da minha atenção e vai me liberando pra fazer outras coisas. (E aí eu tenho certeza que vou morrer de saudades da época em que você era um bebezinho e bastava me ver entrar no quarto pra dar aquele sorrisão)

Claro que ainda tenho recaídas diárias. Hoje, em um dos meus surtos de ansiedade por me sentir tão pouco produtiva eu comentei com seu pai que agora que o mestrado acabou, vou começar a estudar pra concurso no meu tempo livre. Daí ele replicou:

- Acho que você deveria aproveitar esse tempo pra descansar e orar. Afinal, seu tempo livre não é tão grande assim, né?

Ao me dar conta de que ele tinha razão, me bateu um frustração enorme por não conseguir fazer mais. E eu vi que tenho uma longa estrada pra percorrer nessa jornada da maternagem... Há tanto pra aprender, filho! E como é difícil me sentir tão inexperiente a esta altura da vida! Graças a Deus você é muito paciente e me recompensa com lindos sorrisos a todo momento. E felizmente você não me pune pelos meus erros, que são muitos!: P

Seu desenvolvimento nos deixa atônitos a cada dia! Agora que completou 5 meses você tem demonstrado um interesse enorme pelo mundo lá fora e uma vontade estarrecedora de se mover por conta própria. Seus movimentos na cama e no berço estão cada vez mais rápidos e você já tem até uma posição favorita pra dormir. Eu te coloco lá de barriga pra cima e você já vira de lado com as pernocas esticadas e os bracinhos um em cima do outro. Às vez es dorme com os olhos semi-abertos e fica dando risadinhas durante o sono. Coisa mais fofa de se ver!Quando acordado você aprecia muito a posição sentado. Ainda precisa de apoio para as costas, daí eu te coloco no cantinho do sofá e você fica encantado. Mas quando tentamos te colocar deitado em momentos em que você quer sentar você resiste como pode e já que ainda não consegue firmar as costas você mantém a cabeça durinha, como se estivesse fazendo um exercício abdominal. E por falar em mudar de posição, sempre que te deixo deitado de barriga pra cima no berço, quando volto você está de bruços. Outra posição que você curte muito é cabeça pra baixo. Dá pra acreditar? Você deita no nosso colo e pendura a cabeça na nossa perna. Às vezes relaxa tanto assim que chega a dormir. Acho que você gosta de observar o mundo à sua volta sob várias perspectivas ;)

Seus dois dentinhos de baixo apontaram uma semana antes do seu 5º mês-versário e agora eles já cresceram um bocado. Seu pai e eu desconfiamos que o começo da dentição tem te incomodado bastante porque você anda bem agitado ultimamente. Pode ser também um sintoma do calor que se abateu sobre nós nesse começo de setembro. Ah, filho, ainda serão muitos setembros em Goiânia que você terá de enfrentar. E eu já te adianto que serão meses de muito calor e secura. Espero que você se adapte rápido ao clima da sua cidade natal ;)

Tem ficado cada vez mais difícil esperar seu 6º mês-versário pra te dar comida porque você demonstra um interesse enorme em tudo o que comemos. Se a gente se aproxima de você com um copo ou com uma colher você já abre o bocão. Quem vê até pensa que já come há um tempão. Esses dias ficou bravo com seu avô porque ele colocou a colher perto de você e depois recolheu. Dá pra acreditar? Você também gosta muito de experimentar seus dedinhos das mãos e dos pés. Vive com eles na boca.

Mamar agora é uma aventura já que qualquer barulhinho te distrái. Desde bem pequenininho você demonstra muito interesse nas nossas conversas, mas agora até o barulho da pia já te deixa curioso e você interrompe a mamada a cada segundo pra observar tudo em volta.

Há uns dias você começou a fazer um barulhinho muito engraçado, principalmente quando está impaciente. É uma respiração ofegante que lembra muito um cachorrinho e o mais engraçado é que nos seus 5 meses e meio de vida você nunca teve contato algum com cachorros. Aí a gente te imita e você morre de rir.

Suas mãozinhas estão mais parecendo garrinhas, se fecham em torno de tudo o que conseguem alcançar. Esses dias você até começou a tirar a fralda. E na hora de te trocar é uma aventura porque você fica segurando nossas mãos ou suas partes íntimas. Hoje você dormiu enquanto mamava e suas duas mãozinhas se fecharam em torno das minhas. Foi tão, mas tão gostoso que eu fiquei imóvel até você mudar de posição ;)

Agora você já não chora mais pra fazer cocô, mas desde antes de ontem começou a fazer umas caras e bocas muito engraçadas quando está "no troninho". É só olhar pra suas caretinhas e a gente já tem certeza de que sua fralda está ficando bem cheia.

Nesta semana tivemos feriado e descemos pra piscina pela primeira vez com você. Daí o calor tava tão, mas tão grande que seu pai botou na cabeça que queria nadar um pouco com você. Foi a primeira vez que você entrou na piscina, e parece não ter gostado muito. Mas, sinceramente, seria bem difícil apreciar aquela água tão gelada. O mais engraçado foi que logo depois de sair você ficou dando um monte de risadas e dormiu sentado no meu colo. Acho que quando começar a fazer natação a qualidade do seu sono vai melhorar bastante ;)

Mas pra ser justa eu tenho que confessar que você anda dormindo bem melhor. Já até dormiu a noite inteira umas três vezes (bem mais cedo do que eu esperava). É que eu ando sempre com a sensação de sono mega-acumulado e quero muito que dormir a noite inteira seja regra e não exceção. Mas enquanto isso não acontece, seu pai tem ficado com você pelas manhãs em que ele está em casa pra que eu possa dormir mais um pouquinho. E nesse tempinho só de vocês me parece que você se diverte um tantão ;)

Você ainda não fala, mas já interage bastante. Quando está irritado ou com muito sono você começa a soltar uns gritinhos agudos e mega altos. A igreja é seu local preferido pra testar o poder das suas cordas vocais. Acho até que se tornou uma marca registrada, hahaha.

Uma novidade ótima que surgiu na metade do seu 4º mês foi o fato de você ter milagrosamente parado de chorar no bebê-conforto. Foi tão inesperado porque em um dia bastava te colocar na cadeirinha do carro pra você abrir o berreiro e no outro você já estava dando risadinhas na cadeirinha (mesmo com o carro parado). Confesso que antes disso acontecer eu já estava ficando desanimada de sair de casa porque era tanto, mas tanto choro que eu sempre chegava aos lugares cansada. Agora o choro na cadeirinha é exceção e só acontece quando você está com sono. Mas aí, pro nosso alívio, basta o carro andar e você já dorme rapidinho. Será que você está virando um rapaz?

E por falar nisso, você gosta bastante de sair de casa. Semana passada fez uns passeios bem longos e adorou. Distribuiu risadas pra todos e encantou muita gente pelo caminho.... A cada dia que passa você aumenta a quantidade de gargalhadas. Elas começaram de forma tímida um dia que você estava sentado no colo do seu pai na sala. E agora elas têm aumentado progressivamente. Antes você soltava uma gargalhada de alguma expressão engraçada que usávamos pra falar contigo. Agora, basta falar "Oi, Pedrinho" e você já dispara a rir aquela risada mais gostosa do mundo. E é assim que você segue crescendo, meu pequeno. À medida que seu 6º mês-versário se aproxima eu fico mais empolgada, afinal, já foi metade de um ano com você nos braços! Passou rápido, né?

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

4 meses de 12 dias de Pedro

Oi, filho,

No mês em que você completou 4 meses eu completei 28 anos. Dia de aniversário, ao menos pra mim, sempre foi marcado por longas e profundas reflexões sobre a vida, amadurecimento, caminhada, conquistas... Meu primeiro aniversário com você nos braços, no entanto, foi um dia de muitas lembranças...

Sempre gostei de aniversariar e meus aniversários foram comemorados com festinhas até os 12 anos de idade. Elas sempre eram feitas na nossa casa, minha mãe preparava tudo e eu adorava ajudar a enrolar brigadeiros :) O fato do meu aniversário ser nas férias me dava de brinde alguns convidados que não moravam aqui, como primos e primas do interior, e eu adorava :)

Hoje as festas infantis me parecem muito mais equipadas e gourmetizadas do que naquela época. Mesa de doces cheias de cupcakes, pasta americana, bombons personalizados e afins simplesmente não faziam parte do meu universo. Mas sabe de uma coisa? Era tudo tão bom! Lembro que nossas mesas de doce eram compostas por duas bandejas de brigadeiro, duas de olho de sogra e um bolo feito em casa no centro. E eu achava tudo lindo! O entretenimento da festa ficava por conta das crianças. Minha brincadeira favorita era pique-esconde na viela em que morávamos.

Mas acho que essa mania de achar que "no meu tempo tudo era melhor" é antiga. Minha mãe já falava isso do tempo dela e provavelmente você vai falar isso pros seus filhos, né? Acho que isso acontece quando as pessoas têm uma infância gostosa, como foi a minha e como eu espero que seja a sua também.

Me sinto muito agraciada por ter a chance de vivenciar coisas tão maravilhosas da infância novamente por sua causa. Sei que estar no papel do adulto não é a mesma coisa, mas acho que vai ser uma delícia viver esse outro lado da moeda com você, filho. Isso é pura graça ;)

...

Você está a cada dia mais fofo, nem parece mais um bebê e sim um menininho. No dia em que completou 4 meses começou a virar rapidão. Me lembro de ter te colocado no berço para a sua soneca matinal na posição de sempre: de barriga pra cima. Aí, imediatamente você virou de lado e adotou aquela posição fetal. E você fez isso com uma naturalidade como se tivesse feito isso sempre. Aí eu lembrei de quando você era um bebezinho inerte que ficava sempre na mesma posição em que te colocávamos e isso me pareceu uma lembrança tão distante... Hoje sempre nos surpreendemos com a sua posição ao acordar porque ela costuma ser muito diferente da posição em que te colocamos pra dormir. Ou você vira de lado ou toca de roda no berço e faz um giro de 180 graus. De repente, ao invés de estar de frente pra janela você está encarando o guarda-roupas. Já teve até dia de eu te encontrar atravessado no berço com as perninhas pro lado de fora ;)

...

Seu pai e eu estamos mais acostumados à nossa vida de pais. Mas ainda não dá pra dizer que temos uma rotina, pois você muda muito os "hábitos". Meu tempo livre ainda é curtinho e se limita aos seus períodos de soneca diurna. Mal te coloco no berço e já corro pra fazer tudo que está pendente no dia. Quando não tem mais nada pra fazer e você está dormindo, me sinto até perdida. "Como assim tenho esse tempo só pra mim?"

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Chega a ser engraçado como um bebê muda tanto a nossa vida... Confesso que às vezes fico meio irritada por ter tão pouco tempo livre. Mas esses dias reli algo que o Lewis escreveu sobre o assunto e me senti mais encorajada. Reproduzo um trecho aqui:

"O homem não pode produzir nem reter um único momento do tempo; todo o tempo lhe é concedido como uma dádiva; do contrário ele poderia muito bem considerar o sol e a lua seus bens móveis. Ele também está, em tese, determinado a servir totalmente ao Inimigo* ; e, se o Inimigo aparecesse fisicamente para ele e exigisse o tempo integral dele durante um dia inteiro, ele não se negaria. Ele ficaria imensamente aliviado se esse dia não envolvesse nada mais trabalhoso do que ouvir a conversa de uma olhar tola; e ficaria aliviado, quase a ponto da decepção, se por meia hora durante esse dia o Inimigo dissesse: "Agora você está livre para se divertir". Mas até mesmo ele se dará conta, se meditar sobre isso um instante, de que na verdade ele se encontra todos os dias nessa situação". (Cartas de um diabo ao seu aprendiz, p. 106, carta de número 21) 

* Inimigo, neste contexto, se refere à Deus já que a carta foi supostamente escrita por um diabo ao seu sobrinho.

...

É assim. Sua vida não só mudou as nossas vidas, como tem nos feito refletir sobre o que significa esse papo de ser cristão com mais seriedade. Agora somos também testemunhas de Cristo na sua vida e queremos ser fiéis ao nosso Senhor pra que você não tenha uma imagem distorcida sobre Ele. E com esperança vamos caminhando, já que Nele essa esperança nunca foi e nunca será em vão.

Te amamos!



sábado, 4 de julho de 2015

3 meses de Pedro

Oi, filho,

Domingo passado completamos 3 meses ao seu ladinho. É bem difícil colocar em palavras as emoções que permearam esses 97 dias de tanto aprendizado, inseguranças, incertezas  e alegrias sem fim! Engraçado como em tão pouco tempo cabe tanto sentimento! E cabe também uma vida: a sua vida, filho! E a nossa nova vida como pais.

Três meses atrás seu pai e eu renascemos.

Ao me deitar para dormir, é no seu rosto que penso. Meus sonhos são relacionados ao seu crescimento, desenvolvimento, aprendizado, conquistas... É como a Renata Penna sabiamente escreveu:

"Nascem nossos filhos, e morre uma era: morrem prioridades das quais não poderemos dar mais conta, morre um certo tipo de liberdade que não voltaremos a ter (embora possamos descobrir muitas outras, tão lindas quanto ou até mais), morre uma rotina que não acontecerá mais, morrem planos que não conseguiremos mais realizar (mas nascerão outros, mais afinados com quem passamos a ser), morre um egocentrismo que não conseguiremos mais alimentar, morre o direito a nos considerarmos o centro absoluto de todas as escolhas e decisões."

E é exatamente isso, filho! Agora, absolutamente tudo o que seu pai e eu planejamos e sonhamos leva em conta a sua existência. Até um almoço fora de casa é milimetricamente calculado com base no seu bem-estar. 

Não é fácil e leva bastante tempo pra se adaptar. E esse período de adaptação me arranca também muitas lágrimas. Algumas de cansaço, outras de estranhamento pelas mudanças, outras de medo de fazer tudo errado e desapontar você.

É que apesar de tão pequenino você já demonstra uma confiança tão grande em nós! Basta te aninhar nos braços pra acalmar qualquer chorinho. E embora isso seja um grande privilégio, é também uma grande responsabilidade. 

Nesses 97 dias fui confrontada diariamente com a minha arrogância e prepotência, filho. Por isso tenho esperança de que a maternidade faça de mim uma pessoa mais humilde. Você ainda é um bebezinho e já me fez repensar tantas coisas! Às vezes me sinto sem chão porque muito do que acreditava simplesmente caiu por terra. 

Felizmente temos um Porto Seguro, filho. Um ponto de apoio que não depende das nossas emoções. O nome dele é Jesus. Nosso relacionamento com Ele também muda à medida em que crescemos. Mas felizmente quanto mais crescemos, maior Ele fica também. Graças a Deus! 

Algumas proezas: 

Aos 3 meses você: 

- Está com 67,5 cm e 7 kg!
- Sorri quase o tempo todo pra mamãe e pro papai (desde que não esteja com fome, dor, sono ou desconfortável com a posição, tudo o que você faz enquanto acordado é sorrir pra gente) 
- Adoraaaaaa o banho e há alguns dias parou de chorar ao ser tirado da banheira. Trocou o choro por sorrisos deliciosos  
-  Bate tanto as perninhas na banheira que derrama água no quarto todo. E dá uns pinotes que por pouco não bate a cabeça na lateral da banheira também. 
- Apóia os pés nas superíficies duras e gosta muito de ser carregado de frente para o mundo 
- Também gosta de ficar abraçadinho com a gente, que nem um carrapatinho (e essa é minha posição favorita porque dá pra sentir seu calorzinho e respiração) 
- Fica estressadíssimo quando está com sono e chora um montão na hora de dormir (salvo em raras e lindas excessões quando eu te coloco no berço ou no sofá e você apaga imediatamente sem chorar) 
- Já não detesta mais o carrinho e passa um bom tempo nele enquanto a mamãe e o papai estão fazendo tarefas domésticas ou comendo (sexta-feira passada recebemos convidados para o jantar e você ficou sentadinho no carrinho na porta da cozinha observando a mamãe e o papai prepararem tudo. Ontem recebemos visitas de novo e você ficou um tempão fazendo graçinhas no carrinho e interagindo com as crianças)
- Começou a estranhar ambientes estranhos e demonstra clara preferência pela nossa casa 
- Fala bebês fluentemente e adora quando respondemos na sua língua
- Presta super atenção a todos os sons ao redor, principalmente conversas entre mamãe e papai (até para de chorar e mamar pra ouvir a gente conversar)
- Também para de mamar pra conversar. Hoje me contou uma história enorme no meio da mamada.
- Aprendeu a piscar os olhinhos fazendo charminho. Quando está mamando você pisca pra mim, eu pisco de volta e você abre aquele sorriso todo cheio de leite!
- Está dormindo melhor à noite (acordando uma ou duas vezes pra mamar) e passando mais tempo tranquilo durante o dia.
- Está interagindo mais com o ambiente do seu quarto, prestando atenção aos brinquendos e carregando alguns deles sozinho (tipo a sua girafinha que você adora colocar na boca)
- Fica super interessado na nossa imagem no espelho
- Um dia depois de completar três meses começou a dar a barriguinha quando quer ser tirado do berço. E por falar em berço, faço um parêntese pra falar o quanto você está ficando mais independente de colo. Claro que ainda ama ser carregado (e eu amo te carregar). Mas quando precisamos deixar você no berço acordado você reclama cada vez menos. E nessas horas eu vejo o quanto me preocupei à toa quando você era bebezinho e só queria saber de colo. E o que não faltou foi gente me dizendo que eu nunca mais ia ter vida porque você estava mal acostumado. Hoje vejo o quanto essa ideia é boba porque você está crescendo tão rápido... Ontem a Isabela estava aqui e aos 8 meses ela já engatinha pra todo lado. Fiquei pensando que logo será a sua vez e no quanto é precioso poder te carregar por longas horas seguidas sem que você fique entediado. Se eu pudesse dar um conselho à mim mesma três meses atrás, eu diria pra te carregar sem culpa porque você cresce rápido até demais ;)  E tem sido delicioso acompanhar seu crescimento!


terça-feira, 16 de junho de 2015

3 anos e meio de casados!


Parabéns pra nós, lindo! Amo você!

Relato de parto

Oi, filho,

Seu parto foi bem diferente de tudo o que eu sonhei, planejei ou idealizei desde que engravidei. Mas pensando bem, não tem lógica nenhuma esperar que um evento tão imprevisível e cheio de surpresas como um parto saia exatamente como planejado.

O seu aconteceu de um modo que não deixou dúvidas de que o controle que eu queria/pensava ter, jamais me pertenceu. E isso doeu como um soco no estômago. Ao mesmo tempo, trouxe aquele conforto sobre o qual fala o salmista no Samo 131:

"Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim. De fato, acalmei e tranqüilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança." Salmos 131:1-2    (Apesar de anos tendo esse versículo marcado na bíblia e no coração, somente agora entendo a comparação do salmista com a criança recém-amamentada. E isso graças à você, filho!)

...


Era sábado e eu estava extremamente ansiosa. Já tinha completado a trigésima sétima semana de gestação, o que significava que você poderia nascer a qualquer momento. Mas na terça-feira havíamos feito uma ultrassonografia e você ainda não tinha encaixado. E na quarta, durante a consulta do Pré-Natal, o exame de toque não indicou nenhuma dilatação do colo de útero. Você não estava dando nenhuma indicação de queria sair logo de dentro da barriga ;)

Pra completar minha ansiedade a ultrassonografia estimava sua altura em 50 cm e seu peso em 3,4 kg. Se continuasse ganhando peso assim poderia ultrapassar os 4 kg até as 40 semanas de gestação e já seria considerado um bebê macrossômico. Soma-se à isto o fato de o médico ter visualizado duas circulares de cordão em volta do seu pescoço na última ultrassonografia.

Nada disso tirava da minha cabeça que você tinha que nascer de parto normal. Eu passei meses me informando e sabia que nem o peso, nem o cordão eram indicações de cesarianas eletivas. Estava um pouco irritada com a preocupação exacerbada dos médicos e cheguei a marcar consulta com outros obstetras que poderiam nos apoiar na busca pelo tão sonhado parto normal.

No entanto, antes que eu tivesse a chance de consultar outros médicos sobre o nosso prognóstico para um parto normal minha bolsa rompeu. Eram 3 horas da tarde de sábado. Seu pai e eu estávamos almoçando na casa dos seus avós maternos e eu estava extremamente irritada. Já cheguei lá com vontade de voltar pra casa e não via a hora de ficar quietinha no mcu canto. Quando finalmente decidimos vir embora senti um líquido saindo como se fosse xixi. Não tive dúvidas de que tinha chegado a hora de você nascer, e ao mesmo tempo custei a acreditar que estava tão perto o momento de finalmente nos conhecermos.

Voltamos pra casa e enquanto eu fui para o chuveiro seu pai ligou para a médica. Ela falou pra esperarmos duas horas antes de ir para a maternidade para diminuir os riscos de intervenções cirúrgicas (leia-se: cesariana). Neste período de espera fiquei deitada ouvindo músicas do Stênio Március e orando.

Chegamos na maternidade às seis da tarde. A obstetra que estava de plantão fez um exame de toque e confirmou a rotura da bolsa. Mas para o meu desassossego você ainda não tinha encaixado e meu colo do útero não tinha dilatado nada. Uma hora depois do exame fomos internados e nossa obstetra chegou.

Ela nos explicou que a rotua da bolsa não era indicação absoluta de cesárea, mas que era necessário te monitorar para evitar o risco de você entrar em sofrimento fetal. Enquanto isso injetaram ocitocina para induzir o trabalho de parto. Três horas depois você continuava flutuando na barriga e eu não tinha nada de dilatação.

Já eram 10 horas da noite. Nossa obstetra me explicou que à medida em que a noite avançava a equipe ficaria muito cansada e a maternidade não tinha anestesista de plantão. E embora as circulares de cordão também não fossem indicações de cesárea, poderiam atrapalhar sua descida e encaixe para o parto. Sendo assim, no caso de uma cesariana de urgência se fazer mesmo necessária, a cirurgia iria ser realizada no meio da madrugada por uma equipe extremamente cansada.

Os riscos associados à situação nos levaram a optar pela cesariana. Não foi uma decisão fácil e acarretou uma frustração enorme tanto para mim quanto para o seu pai. Mas no momento nos pareceu o mais sensato a fazer porque mais importante do que o parto dos nossos sonhos era você nascer bem. Muitos poderão dizer que um parto normal teria sido possível e viável. Ou que poderíamos ter esperado um pouco mais. Talvez. Mas se algo desse errado a contrapartida teria sido alta demais. Não estávamos dispostos a arriscar.

Entrei no centro cirúrgico me sentindo vencida. Ao me deitar naquela maca totalmente passiva e dependente de outras pessoas me senti a pessoa mais frágil do mundo. De repente, aquela mulher forte, decidida, que mentalizou o trabalho de parto durante toda a gestação, fez exercícios físicos de maneira regular pela primeira vez na vida e sonhou várias vezes com um parto normal, sem intervenções cirúrgicas e com o mínimo possível de medicalização, estava ali naquele centro cirúrgico engrossando as estatísticas de partos cesáreos realizados no Brasil.

Felizmente a equipe médica nos tratou com muito respeito e posso dizer com toda certeza que tivemos uma cesariana humanizada. O parto não foi como eu esperava, mas o momento em que você nasceu varreu para longe todas as frustrações do mundo e aquele primeiro chorinho que você deu ficou eternizado na memória.

Seu pai estava pálido e abatido após acompanhar a cirurgia que queríamos tanto evitar, mas quando colocaram você no colo dele foi uma alegria só! E naquele nosso primeiro momento em família todo o resto deixou de importar. Não me incomodei com a frieza do centro cirúrgico ou com o barulho dos aparelhos que me monitoravam. Tudo o que ouvia/sentia era o seu choro, sua respiração, sua presença palpável, concreta, finalmente ao alcance das nossas mãos!

Até hoje ao me lembrar daquele momento sinto uma onda imensa de felicidade me atingir. Dizem que o momento da saída do bebê no parto normal traz consigo uma quantidade tão grande de ocitocina que deixa a mulher "flutuando de alegria". Eu ainda sonho em viver isso, filho. Mas NADA diminui  a alegria do nosso primeiro encontro. Pelo contrário, só me faz enxergar o quanto sua vida é preciosa por nos mostrar que mesmo quando nada sai como planejado ainda podemos nos surpreender positivamente.

Passei mais da metade da gestação temendo uma cesariana e dizendo que se eu tivesse de passar por uma, teria de fazer terapia para superar a decepção. Hoje enxergo a cirurgia com um pouco mais de serenidade e até gratidão (afinal, não sabemos o que teria acontecido se tivéssemos esperado. Pode ser que você tivesse encaixado e descido numa boa via parto normal, mas caso contrário eu jamais me perdoaria).

Continuo sonhando com um parto normal no futuro. Agora com mais humildade e disposição para acolher aquilo que tiver de ser. Tendo em mente que o Autor da Vida é soberano sobre tudo isso e se Ele nos confiou você, o melhor presente de todos, não há nada no mundo que possa nos fazer duvidar do quanto o amor e o cuidado Dele são reais!

Te amamos muito.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

52 dias de Pedro

Oi, filho,


Faz tempo que não registro nada por aqui. Não é falta de inspiração ou de vontade, é uma mera questão de tempo. Você não gosta de ficar no berço durante o dia, então me sobra pouquíssimo tempo de braços livres para digitar. E quando você dorme à noite eu também vou direto pra cama porque preciso de muita energia pra acompanhar seu ritmo.


Mas hoje senti uma urgência de registrar algumas coisas antes que elas se percam da memória. Então vamos lá:

- Você nasceu com 52 cm e 3,465kg, um bebezão! E olha que a gestação durou 37 semanas (8 meses e 8 dias para ser bem exata). Imagina se você tivesse ficado aqui dentro até as 42 semanas?
- Saiu da maternidade com 3,2 kg e uma semana depois já estava com 3,660 kg
- Na última consulta com o pediatra (com 47 dias) você já estava com 59,5cm e 5,410 kg! Três pediatras diferentes já te viram e todos ficaram surpresos com seu ganho de peso sensacional. Tá todo mundo dizendo que você nem parece mais um bebê de dois meses e eu concordo plenamente. Tá com umas bochechas enormes e as coxas então, nem se fala! Confesso que essa semana te dei umas mordidas nas bochechas, não deu pra resistir a tanta fofura!

- Quando de bruços, você consegue sustentar a cabecinha desde a segunda semana de vida. Parece uma lagartixa olhando de um lado pro outro.

- O banho você já curte há um tempão. E seu pai adora te banhar! É ele quem tem feito isso desde que você nasceu (e na ausência dele as suas avós é que fazem, sua mãe ainda tem medo de deixar você cair, mas eu sempre estou presente pra lavar sua cabeça e te pegar com a toalha no fim). É engraçado porque quando te viramos de bruços pra lavar suas costas você já tenta firmar os pezinhos no fundo da banheira. Aí é pura adrenalina pra quem está te segurando porque parece que você já quer sair andando. Agora deu também pra balançar a cabecinha quando de bruços na banheira, como se estivesse ouvindo uma música bem ritmada. Fofo demais :)
- Você já olha fixamente pra quem está no seu raio de visão e distribui sorrisos deliciosos quando lhe dirigem a palavra.
- Seu primeiro sorriso intencional foi para a vovó Jane quando você estava prestes a completar 5 semanas de vida. Mas é fato que a partir daí você sorri sempre e reserva os sorrisos mais lindos pra mamãe e pro papai (geralmente pela manhã).
- Você gosta muito do seu mamazinho. Consegue esperar no máximo duas horas e meia entre cada mamada, mas esse intervalo tende a ser mais curto. Tem dias que pega o peito e parece que não vai largar nunca mais. Confesso que fico com medo de superalimentar você (apesar de dizerem que criança não tem gula).
- Quando você começa a reclamar de fome e seu pai fala que vai trocar sua fraldinha, você para de reclamar na hora. Parece que já sabe que logo depois de ter sua fralda trocada você vem direto pro peito :)
- Quanto ao sono: à noite você tem dormido melhor: deita entre onze horas e meia noite, acorda entre duas e três pra mamar, depois entre cinco e seis, mas logo volta a dormir e não suja mais a fralda durante a madrugada, o que tem tornado tudo mais fácil e os dias mais leves já que todos conseguimos descansar um pouco melhor durante a noite. Já durante o dia você é uma caixinha de surpresas: tem dia que não dorme nenhuma horinha sequer, em outros você hiberna umas duas ou três horas seguidas  (normalmente quando vamos visitar alguém. Parece que o carro e o ambiente não familiar são soníferos poderosíssimos pra você).
- Felizmente você está mais acostumado ao bebê conforto. Antes era uma choradeira só quando te colocávamos nele pra sair de carro. Da primeira vez que você bebeu fôlego ao chorar foi no meio de um passeio de carro no bebê conforto. Fiquei tão assustada que te arranquei de lá com o carro em movimento e você calou na mesma hora.

- Você gosta muito de banhos de sol. Fica quietinho e super relaxado quando abrimos a janela e deixamos os raios solares incidirem diretamente sobre você. Depois de um bom banho do sol você pode até emendar num soninho gostoso.


- Hoje pela manhã sua avó Sheila disse que você conversou com ela. Ela estava batendo um papo super animado com você às seis da manhã e depois de ouvi-la atentamente você murmurou de volta. Daí mais tarde quando eu estava te amamentando percebi que você olhava fixamente pra mim. Perguntei se você estava se sentindo melhor das cólicas que te impediram de dormir essa noite e você sorriu, tirou a boca do peito e fez um sonzinho tipo: aaaeee. Entendi como uma resposta. Então fica como hoje o dia oficial do nosso primeiro diálogo. Mas é importante registrar que foi com sua avó Sheila que isso aconteceu pela primeira vez ;)
-  À tarde tive de ir ao banco resolver uma pendência urgente e você acordou faminto. Sua tia Alessandra te colocou no peito dela e você mamou à valer. Cheguei aqui e vi você grudadinho nela.

- Você está a cada dia mais lindo, charmoso, fofo, gostoso e maravilhoso. É o xodó da mamãe, do papai, dos avós, tios e de um monte de amiga babona da sua mãe :) ( Mônica não aguenta passar muito tempo sem te ver e já está na competição pra ser sua tia favorita. Agora a coitada gripou e não conseguiu passar aqui nenhum dia dessa semana. É de dar dó a agonia dela pra te rever, tadica - Rebeca também está na disputa por tia favorita, essa semana ela te fez dormir)
- Seus avós também estão na corrida pra ver quem é o mais coruja! Você foi o primeiro nenê recém-nascido que seu vovô Saul teve coragem de pegar. E olha que você já é o quinto neto dele. Vovô Rubens passou 5 tardes inteiras com você no colo. Ele mal piscava :) No dia que ele foi embora sentimos você um pouco tristinho (acho que estava com saudades).
- Já suas duas avós estão dando uma super força. Elas passam a noite em claro com você quando é preciso e na ausência do seu papai são elas que te dão banho. De domingo pra segunda você passou a noite em claro com a vovó Jane e de ontem pra hoje foi a vez da vovó Sheila. Quando acordei de manhãzinha vi você dormindo grudadinho com ela.
- Seu tio Daniel também gosta de te pegar no colo. Já até cuidou de você pra eu tirar uma soneca. E você dormiu gostoso no peito dele :)
- Sua tia Alessandra chegou ontem de BH com a Emilly pra te conhecer. E você já gosta muito do colinho dela! (Em julho chegam seus tios Fernando e Felipe)
- A tia Lilian, de tanto pedir ao Papai do Céu pra te conhecer antes de voltar pros EUA, teve seu pedido atendido. Você nasceu dois dias antes dela ir e foi lindo te ver no colinho dela :)  A bisavó Mariana quer te ver todos os dias. Se dependesse dela nós iríamos ficar uma semana inteira na casa dela e ela passaria quantas noites em claro fossem necessárias com você no colo. O bisavó Valti e o tio Roberto também ficam encantados quando chegamos na casa deles com você. Tio Roberto te pega no colo e já começa a orar. Coisa mais linda de se ver!
- Seus priminhos Gabriel e Emilly também gostam muito de você. Biel até pediu pra te pegar no colo e nem ficou com ciúmes da vovó Jane com você. Emilly fica te observando com aqueles olhinhos meigos e ontem ela desandou a chorar ao te ver chorando.
- Sua família de BH está toda em polvorosa desde que você nasceu. Vovó Dora, Vovô Paulo, tia Patrícia e Débora disseram que virão te conhecer em breve.
- Você é um bebê muito amado ;)

Como está a mamãe:
- Ainda bem confusa com a mudança radical que sua chegada trouxe às nossas vidas. Muita revolução interior e a sensação de que estou me tornando uma nova pessoa (assunto para vários outros posts).
- A cada dia mais encantada com você

Como está o papai:

- Bem cansado e sonolento tentando equilibrar trabalho, doutorado e cuidados com você. Mas se fosse possível tirar licença ele ficaria o dia inteiro em casa conosco. Ele adora te pegar no colo, trocar sua fralda e te dar banho. Fica sempre com medo de te pegar bruscamente e qualquer incômodo que você sente ele tende a pensar que é culpa dele. Chega a dar dó. Mal sabe ele que em menos de dois meses ele já se tornou o melhor pai do mundo ;) Tenho certeza de que loguinho vocês já serão melhores amigos ;)





sexta-feira, 10 de abril de 2015

Diário de pós-parto - décimo quarto dia

Oi, filho,

Amanhã você completa duas semanas. Nessas duas semanas cabe toda uma vida: não apenas a sua, mas também a minha, pois sinto como se eu tivesse renascido no dia em que você nasceu. Talvez por isso a sensação de vulnerabilidade e fragilidade sejam tão fortes no puerpério. Li e ouvi que essa é uma fase extremamente solitária para a mulher.

 Isso é fato.

Apesar de toda a rede de apoio ao meu redor, acho que nunca me senti tão só. A experiência do puerpério envolve fatores hormonais, neurológicos, emocionais e também espirituais. Gosto de compará-la à experiência cristã do deserto, aquele momento da vida em que Deus trabalha em nosso caráter por meio da solidão e da dor.

Sei que não estou sozinha, aliás, sua presença constante demandando colo, peito, carinho, cuidado e afeto são um lembrete de que a partir de agora dificilmente estarei só. Mas às vezes vejo-me neste deserto e contemplo você ali tão pequeno, tão frágil e necessitado de atenção e quando olho pra mim tudo o que vejo é outra criança igualmente frágil, morrendo medo de meter os pés pelas mãos.

Seu pai me parece igualmente frágil e vulnerável e anda trabalhando duro dentro e fora de casa pra tornar a sua vida e a minha melhores. Não tenho palavras para agradecê-lo por tanta dedicação e cuidado.

Lamento o fato de você depender de seres tão falhos como nós, filho. Mas lembro do que Deus disse à Paulo e vem me dizendo todos os dias: "A minha graça te basta".

Nessa esperança vamos caminhando. Louvo a Deus pelas suas duas semanas e pela saúde de ferro que Ele te deu. Minha oração de todos os dias é que consigamos comunicar a você o nosso amor de modo que você nunca tenha dúvidas do quanto é amado.



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Diário de pós-parto - décimo segundo dia

Oi, filho,

Estou aproveitando sua soneca vespertina pra escrever este post, apesar de o meu cansaço também estar pedindo um cochilo. Todavia, não abandono a ideia de registrar as emoções do pós-parto porque acho que elas são preciosas demais, embora nem sempre agradáveis.

Desde que você completou 2 dias de vida comecei a sentir uma melancolia tão grande que cheguei a pensar que estava sofrendo de depressão pós-parto. E pode ser que em algum momento desse período sentimentos depressivos e opressores de fato tenham me engolfado. Agora, graças ao bom Deus, não sinto mais a névoa de escuridão que me envolveu nos seus primeiros dias, mas a melancolia continua aqui e acho que ela tem a ver com o puerpério.

Sempre que olho pra você sinto um misto de alegria e tristeza. Alegria pela sua vida, saúde, vitalidade e fofura. Tristeza pelo fato de que você nasceu em um mundo caído e corrompido pelo pecado, o que significa que você inevitavelmente vai experimentar o sofrimento e a dor. E como vida de recém-nascido não é nada fácil, você já começou a senti-lo por meio dos gases doídos que te acometem de vez em quando.

Quando olho pro seu rostinho tão perfeito e penso nas inúmeras dores pelas quais você vai ter de passar, sinto um aperto no peito que não se compara a nenhuma tristeza pela qual já tenha passado nessa vida. Se eu pudesse, te colocaria numa redoma de vidro pra que você nunca tivesse que passar por nenhuma dor ou sofreria todas elas no seu lugar.

Um dia li que ser mãe é ter para sempre o coração fora do peito. Acho que essa é a descrição mais precisa da maternidade.

Desde que você nasceu, tenho me sentido extremamente vulnerável e isso dói a ponto de eu pensar: "O que eu fui fazer com a minha vida?".  Mas como eu acredito na soberania de um Deus criador e pessoal, esse pensamento é logo dissipado pela certeza de que a sua vida jamais poderia ter sido planejada por mim, e sim confiada a mim em um ato de extrema bondade e graça Daquele que te criou.

Com isso em mente, sigo confiante de que Ele vai nos capacitar a cuidar bem de você. Mas nesses primeiros dias confesso que cada saída de casa com você à tira-colo me causa um enorme aperto no peito! Tenho a impressão de que você está extremamente desconfortável no bebê (des)conforto e o trânsito bárbaro da nossa cidade me faz pensar que um bebê tão pequeno e delicado tem que ficar sempre quietinho dentro de casa.

Ontem, enquanto esperávamos seu pai dentro do carro, vi um pai passeando com o filho pequeno na calçada e pensei se um dia eu teria tranquilidade para fazer o mesmo com você. No momento essa ideia me parece absurda. Mas creio que aos poucos Deus vai preparando meu coração pra isso também.

Uma coisa que tenho aprendido no puerpério é que é preciso viver um dia de cada vez. Se ontem eu me desesperava quando chegava a hora do seu banho de tanto medo que tinha de que alguém te deixasse cair, hoje até consigo tirar um cochilo enquanto seu pai faz isso com todo zelo e carinho.

O cansaço e a falta de vontade de fazer qualquer coisa (que não envolvam cuidar de você) também são bem característicos desses dias. Mas espero que aos poucos consigamos estabelecer uma rotina saudável e a energia e a vitalidade voltem com força total (embora nesse momento seja extremamente difícil acreditar nisso).

[pausa para atender seu choro - continua no próximo post]

sábado, 4 de abril de 2015

Diário de pós-parto - oitavo dia

Oi, filho,

Hoje faz uma semana que você nasceu! Foram tantas emoções que parece que passou um ano! Ao mesmo tempo, parece que passou rápido demais...

Embora seja tão pequenininho você já fez algumas peripécias que nos impressionaram. Arrastou para trás o corpinho com as perninhas dentro do berço à ponto de encostar a cabeça nas grades e chutou a almofada do sofá a ponto de quase derrubá-la no chão!

Todo mundo fala o quanto você é forte! Sua avó Sheila viu fotos de ontem e disse que você nem se parece com um recém-nascido, e sim com uma criança de alguns meses. Isso traz alívio ao seu pai e eu porque por alguns momentos fomos tentados a pensar que nosso estresse e ansiedade tinham feito a bolsa romper antes da hora. Mas Deus é tão gracioso conosco que na manhã do dia que você nasceu fomos ao curso da Unimed pegar uma aula de reposição e nos reparamos com Eclesiastes 3:1-2. De fato não temos dúvidas de que você veio na hora certinha e eu, que desejei tanto que você nascesse na semana 37,  me sinto muito agraciada!

Antes de ontem levamos você pra tomar vacina BCG e contra hepatite B. Na hora de te espetarem com a agulha pediram pra que seu pai e eu falássemos com você, já que é na nossa voz que você confia. Saí de lá refletindo sobre o privilégio e a responsabilidade implicados nisso. Saber que tem um novo ser que confia inteiramente em nós nos enche de gratidão e alegria. Por outro lado, o medo de te decepcionar é grande demais, filho. E o pior de tudo é saber que isso vai acontecer. Só espero que esse laço de confiança que se formou entre nós três desde o ventre nunca se parta. Sei que somos falhos demais pra isso, mas confio na Graça Daquele que nos confiou a sua vida.

Assim como eu, seu papai está bem inseguro. Quando ele te pega e você começa a chorar, ele fica com receio de estar estressando você. Mas eu acho pura bobagem porque ele é o pai mais jeitoso que existe. Precisa de ver a delicadeza com a qual ele te segura. Ontem até fotografei ele te dando banho! É tão cuidadoso que parece que faz isso há anos! De fato você e eu somos muito privilegiados por tê-lo em nossas vidas. E eu, que sempre soube que tinha "tirado a sorte grande" com o meu marido, agora tenho certeza de que não poderia desejar um pai melhor e mais dedicado para os meus filhos :)

Hoje tivemos um dia cheio de visitas e você se comportou como um príncipe :) Ficou no colinho de todos sem reclamar e fez charminho o tempo todo. Tem gente que fala que eu não devia te dar tanto colo porque corro o risco de você não querer mais  saber de berço e eu não conseguir fazer mais nada. Confesso que tenho medo que isso aconteça, mas por outro lado penso "e o que de mais importante eu tenho pra fazer?".  Sei que essa fase vai passar super rápido e daqui a uns dias você já vai estar engatinhando pra todo lado e nem vai querer saber de colo. Então eu tenho mais é que aproveitar esse amor espresso em vontade de ficar juntinho, não?

O mesmo acontece quando você chora entre uma mamada e outra pedindo peito.  Como é que eu vou saber se você está chorando de fome ou de sede? E se tiver querendo ficar só mais pertinho? Às vezes fico quebrada porque você quer mamar de hora em hora durante a noite e sei que isso não é sustentável à longo tempo. Mas tenho esperança de chegarmos a um acordo que não seja traumático pra você nem pra mim.

Quanto ao seu parto, a cada dia estamos mais convictos de que você nasceu da melhor forma possível. Arriscar um parto normal nas condições em que você estava quando a bolsa estourou seria colocar sua vida em perigo. Não vou negar que ainda lamento muito não ter sentido você saindo de mim. Mas dou graças a Deus pela forma tão segura e cuidadosa como você nasceu. Tenho certeza de que Ele estava conosco no centro cirúrgico o tempo inteiro e usou aquela equipe de médicos maravilhosa pra nos mostrar o quanto se importa conosco.

Essa primeira semana foi cheia de altos e baixos. Estamos muito felizes com a sua chegada e a cada dia mais apaixonados por você. Mas estamos cheios de medos de fazer tudo errado. O que me consola é lembrar do que Aslam disse ao Príncipe Cáspian quando ele ponderou se estava pronto para ser o rei de Nárnia.

É muito bom saber que temos um Deus que se importa tanto conosco e que nos capacita. E o fato de você ter nascido na véspera da Páscoa nos faz pensar no sacrifício de Jesus de uma forma ainda mais pessoal. É duro demais pensar que um dia você vai morrer. Mas graças ao sacrifício do filho unigênito de Deus, você também vai ressuscitar e viver eternamente. Agora que temos esse amor tão profundo por você, eu consigo imaginar um pouquinho do sofrimento do nosso Deus vendo o filho Dele pendurado naquela Cruz. É muita dor, filho!

Nesse sábado de Aleluia senti um pesar no coração todo o dia. Acho que tem a ver com esse período pós-parto e com todas as mudanças hormonais pelas quais estou passando. Mas pensar que em um dia como o de hoje Jesus estava sepultado dá muita dor no coração. Graças a Deus o domingo está chegando e pela primeira vez, comemoraremos juntos o milagre da ressurreição! Deus é bom!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Diário de pós parto - quinto dia

* [ fragmentos ] *

Filho, você chegou na semana que eu queria e bem no dia em que eu estava me debatendo de ansiedade de tanto pensar em você. Mas confesso que nunca imaginava que iria te conhecer tão cedo. Seu parto foi bem diferente daquilo que eu planejei e sonhei [relato detalhado mais tarde]. As lágrimas ainda não secaram e o coração ainda está apertado. Mas o que posso te dizer com toda a sinceridade é que seu pai e eu estamos gratos. Você nasceu bem cuidado e muito bem assistido. A equipe que nos assistiu desde a rotura da bolsa até a nossa saída da maternidade fez um trabalho muito melhor e mais humanizado do que as minhas mais altas expectativas. Deus sempre nos ampara e surpreende.

...

Se eu pudesse resumir um pouco do que tem passado em minha mente e coração nesses primeiros cinco dias de pós-parto:

- vontade de fazer o tempo passar mais rápido até estarmos todos adaptados à nova rotina com você em casa e ao mesmo tempo um desejo enorme de parar o seu cronômetro e ter todo o tempo do mundo só pra te observar... cada chorinho, sorrisinho, mamada, carinho... Você me encanta todo o tempo. 

- um medo enorme de não cuidar direitinho de você!

- pânico ao pensar que semana que vem seu pai volta ao trabalho

- gratidão por todo o cuidado que temos recebido durante o pré-natal, parto e pós-parto. Familiares, amigos e profissionais da saúde têm formado uma rede de apoio fenomenal desde o momento em que o teste de gravidez deu positivo. Sua gestação foi marcada por manifestações de cuidado e carinho que tocaram muito em meu coração. E nesses dias que se aproximaram do parto recebemos muitas mensagens de encorajamento e apoio de pessoas queridas :) Foi bem visível e tocante o cuidado de Deus com você e conosco.

...

[continua no próximo intervalo entre mamadas e cochilos]

[nunca imaginei que eu poderia ficar tantas noites sem dormir e não entrar em curto-circuito]

[Deus é bom]

sábado, 28 de março de 2015

Diário de gravidez - 37 semanas e 3 dias

"Acaso faço chegar a hora do parto e não faço nascer? ", diz o Senhor. "Acaso fecho o ventre, sendo que eu faço dar à luz? ", pergunta o seu Deus."  Isaías 66:9

Oi, filho!

Agora estamos pertinho de te conhecer! Essa semana a gestação chegou à termo, o que significa que você pode nascer a qualquer momento sem ser considerado um bebê prematuro. Legal, né? Dá pra imaginar meu nível de ansiedade desde que apareceu 37 semanas no calendário gestacional? Pensar que a qualquer momento você pode "pedir pra sair" é emocionante demais! E ao mesmo tempo enche a gente de uma expectativa que pode até virar obsessão se eu não focar meus pensamentos em outra coisa. Afinal, uma gestação normal vai até 42 semanas e você não tem nenhuma obrigação de nascer antes disso. Sua mãe precisa arranjar uma forma de abrir mão do desejo de controle se quiser te esperar tranquila. Obrigada porque mesmo antes de nascer você já me motiva a lutar contra a ansiedade, filho.

Mas confesso que desde que entrei na semana 37 senti meus níveis já elevadíssimos de ansiedade subirem ainda mais. É que além de estar doida pra te conhecer, a barriga está bem pesadinha e eu quero muito ter um parto natural. E desde o começo a dr. Aline, obstetra que tem nos acompanhado com muito zelo e dedicação, me alertou sobre a possibilidade de você ficar pesado demais e diminuir o bom prognóstico para um parto vaginal.

E, como não é de se estranhar, você já entrou nas 37 semanas com medidas de 38: 50 cm e estimativa de peso de 3,4 kg! Você sabia que boa parte dos bebês nasce antes de completar essa marca, filho?

Dr. Aline tem se mostrado bem alarmada com sua vontade enorme de continuar crescendo dentro da barriga, já que até agora você não nos deu nenhum sinalzinho de que pretende pedir pra sair tão cedo. Ela me aconselhou a te esperar até o dia 15/04. Se até lá eu não entrar em trabalho de parto, sugeriu que marcássemos uma cesariana. Mas se eu quiser muito esperar você pedir pra nascer de forma natural, ela disse que me encaminha para um colega obstetra que faz partos vaginais com maior margem de risco.

Imagina o nó que essa informação deu na minha cabeça, filho! Passei o dia de ontem inteirinho refletindo sobre o assunto e cheguei à conclusão de que quero muito esperar você pedir pra nascer. Diante da possiblidade de trocar de G.O a essa altura do campeonato meu coração ficou bem apertadinho e eu passei o dia inteiro pilhada, triste e ansiosa.

Conversando sobre o assunto com a Giovanna, uma querida amiga que teve o André há pouco tempo de parto natural, ela me falou de como foi alentador se deparar com Isaiáis 66:9 quando estava grávida.

Quando li o versículo fiquei muito feliz. É sempre bom lembrar da soberania de Deus sobre todas as coisas. E filho, acompanhar seu crescimento aqui dentro de mim sabendo que eu nada fiz para colaborar para isso tem sido uma experiência maravilhosa demais! Pensar que o doador da Vida me escolheu para te gerar enche meu coração de gratidão e alegria!

A Gi me falou que pensou muito na vida de Maria, a mãe do nosso Senhor Jesus, durante a gestação. De fato, não existe na história um exemplo maior de entrega do que o dela, filho. Ao saber que ficaria grávida aos 16 anos de idade correndo o risco de perder o noivo, cair em descrédito público e perder a reputação, tudo o que Maria disse ao anjo que lhe deu a notícia foi: "Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra". (Lucas 1:38)

Eu não sei o quanto do plano salvador de Deus Maria entendia nesse momento. Mas ela compreendeu bem seu papel como instrumento do Senhor e se dispôs a sê-lo. Bonito, não?

Quero me dispor também, filho. Quero entregar toda a minha ansiedade nas mãos Daquele que já planejou o dia e a forma como você chegaria antes mesmo da fundação do mundo. Sei que Ele nos mostrará a hora certa e não nos desemparará.

Por isso não precisa se apressar, filho. Minha vontade de ver seu rostinho vai continuar crescendo até o dia em que finalmente nos encontrarmos. E que dia inesquecível será!

Diário de gravidez – * 35 semanas e dois dias

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.


Li em algum lugar que a ansiedade é a doença do século. Na hora pensei: “Ufa, pelo menos não sou a única que vive com o coração apertadinho de pura ansiedade”.  No entanto, refletindo melhor sobre o assunto essa semana cheguei à seguinte indagação: “Por que tenho andado tão ansiosa?”.

Ansiedade tem sido uma companheira fiel desde a infância. Às vésperas de uma viagem em que teria de levantar cedo eu mal conseguia dormir à noite, e não era pela empolgação, o que roubava meu sono era o receio de perder a hora. Quando tinha de apresentar um trabalho escolar pela manhã as noites também eram longas e agitadas.

Comigo foi sempre assim, ansiedade = noites mal dormidas.

Desde que engravidei percebi uma queda considerável na qualidade do meu sono. E não é só porque a barriga pesa e fica difícil encontrar posição para dormir. As noites mal dormidas se fizeram bem presentes já no comecinho da gravidez. E a razão disso pra mim é clara como cristal: pura ansiedade.

Alguém poderia até argumentar que esse sentimento é normal diante da mudança de vida que a chegada de um filho traz. E eu responderia: “Normal é, mas adianta?”.

Ao pregar sobre nossa tola ansiedade, pastor Augustus Nicodemos falou algo que me deu muito o que pensar: “Na maioria das vezes, nos deixamos tomar por ansiedade acerca de questões sobre as quais não temos nenhum controle. Você vai dormir preocupado com algo, mas nem sabe se acordará na manhã seguinte”.

O antídoto contra a ansiedade seria entregar tudo diante do Pai com súplicas e ações de graças, como recomenda Paulo na carta aos filipenses. Simples, né?

Só que não.

Essa entrega pressupõe um momento diário de comunhão, oração e contemplação. Não foi em vão que Jesus instruiu seus ouvintes a contemplarem os pássaros e os lírios dos campos para que não ficassem ansiosos sobre “o que comer ou vestir”.

Esta contemplação da Criação é extremamente didática. Ao olharmos a natureza, lembramo-nos do Criador. E mesmo em meio ao caos ambiental percebemos que as plantas continuam florindo e que os pássaros continuam voando. Quem é que os sustenta diariamente?

Em meio à uma enorme crise de estresse e ansiedade essa semana, decidi colocar o conselho de Jesus em prática e me sentei na varanda para observar o pôr-do-sol. Que fantástico! Se ao olhar pra baixo via as ruas poluídas de uma cidade mal gerida e árida, ao olhar pra cima via a perfeição de um céu que nunca é igual. Fiquei atônita com as múltiplas cores de um sol que nasce e se põe todos os dias, sem que qualquer um de nós possa fazer absolutamente nada à respeito.

Ser cristão implica, entre outras coisas, em acreditar que existe um Criador sustentando o universo. E mais do que isso, Alguém que se importa com as menores demandas de cada uma de suas criaturas. Alguém que deseja se relacionar de perto conosco e nos encher com a “plenitude da sua graça”.  Muitos de nós temos nos contentado com tão pouco. Deixamos de buscar essa plenitude e vivemos com pequenas gotas de Graça que Ele, do alto de sua Misericórdia e Amor, nunca deixa de nos oferecer.

Eu quero mais.


* Texto escrito no dia 12/03/2015

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Diário de gravidez - reflexão sobre a quaresma

Oi, filho,

A Quaresma começou ontem no calendário cristão. Esse período é composto por 40 dias de arrependimento e contrição que nos preparam para celebrar a ressurreição de Jesus na Páscoa. Cultivamos nesse período arrependimento e contrição pelos pecados que pregaram Jesus naquela Cruz. Mas tais sentimentos são vivenciados à luz da esperança da ressurreição do Crucificado, evento que traz à memória a vitória Daquele que se humilhou para depois ser glorificado.

Cristo sofreu por nós, filho. Mesmo sendo puro, imaculado, justo e santo, Ele se entregou em nosso lugar e teve uma morte de Cruz. O filho de Deus não reivindicou sua autoridade divinal, antes, se fez carne e se humilhou perante toda a humanidade.

Este ano, alguns dias antes do início da Quaresma recebemos a notícia de que 21 cristãos egípcios foram brutalmente assassinados pelo Estado Islâmico. O vídeo da execução está circulando na internet, gerando repúdio em toda a parte.

Meu coração se entristece pelas famílias enlutadas desses e de todos aqueles que perderam suas vidas nas mãos do Estado Islâmico e a admiração que sinto por cristãos fiéis, que mesmo em face da morte não negam seu Senhor, é grande demais.

"Se como Ele morreram, como ele ressuscitarão"

 Que bela promessa! Mas quantos somos corajosos o suficiente para levarem-na a sério?

Acho estapafúrdias essas interpretações hollywoodianas do Apocalipse que pregam que a Tribulação ainda está por vir. O que diriam sobre tais ideias os cristãos que desde o Pentecostes tiveram suas vidas cruelmente ceifadas por confessarem a Jesus como Senhor?

Se aqui no Ocidente ainda desfrutamos de liberdade de culto e adoração, Glória a Deus! Mas não nos esqueçamos dos nossos irmãos que são diariamente perseguidos e mortos por causa de sua fé. Não sei como estará o mundo quando você tiver idade para compreender este post, filho. Mas oro para que a Igreja brasileira desperte e saia do comodismo em que está inserida. Que nossas agendas estejam menos auto-centradas e preocupadas com nossos eventos gospel. Que tenhamos mais amor uns pelos outros, inclusive por aqueles que sofrem pelo nosso Senhor.

E que se um dia nossa fé também for testada, possamos proclamar com ousadia o amor que sentimos pelo Crucificado.