segunda-feira, 28 de março de 2016

1 ano!

Filho,
crédito da foto: tia Marcinha

Parece que foi ontem que ouvimos seu choro pela primeira vez. Ao mesmo tempo, sinto como se isso tivesse acontecido há muitos anos já que agora a vida antes de te conhecer parece mais um borrão na memória e esses últimos 12 meses, de tão intensos, dão a impressão de terem durado uma eternidade.

Embora meu desejo seja o de registrar o máximo possível os nossos primeiros anos, este foi um texto que hesitei muito em escrever. É que as palavras não são suficientes para expressar o que temos vivido e todos os textos do mundo ficam sempre muito incompletos.

No dia 28 de março de 2015 seu pai e eu renascemos. Desde então, a gente olha primeiro para você antes de ter a chance de se olhar no espelho. E nesta entrega, que tem sido tão visceral, a gente tem aprendido a ser gente.

Aliás - você faz mamãe aprender tanta coisa, filho. A ser menos dura com os outros e com ela mesma. Que a maternidade não é uma medida de desempenho diário. Que alguns dias são mesmo melhores que outros, mas que até os dias ruins, e principalmente os dias bons, podem e devem ser entregues à misericórdia do Redentor. Que julgar outros pais é muito perigoso porque no dia seguinte você pode se ver fazendo exatamente aquilo que tão apressadamente julgou - e condenou. Neste primeiro ano você também me fez perceber que 8 horas de sono por noite são um luxo, e são complemente dispensáveis. E que dormir picado (acordando a cada duas horas) é totalmente plausível e possível.

Não vou negar que tem sido duro - muitas vezes o cansaço é tanto que bate até um desespero. Também não vou fingir que não sinto falta da "leveza" e da "liberdade" que tínhamos antes de nos tornarmos pais - carregar nos ombros a responsabilidade pela vida de outrem é pesado demais - mas também não vou negar que a alegria que experimentamos por sermos seus pais é do tamanho do universo.

Como você cresceu em um ano! Suas descobertas foram tantas que nem dá pra contar... E elas foram tão importantes pra você, filho. Cada uma delas fez brotar inúmeros sorrisos - algumas até gargalhadas - nesse seu rosto de menino travesso que sorri também com os olhos.  Hoje, ao despertar para um novo dia cheio de novas descobertas, você estava tão crescido que nem parecia um bebê.

Na manhã do seu primeiro aniversário você já era outro, diferente de ontem e tão, mas tão diferente de um ano atrás!

Segura sozinho seu pedaço de pão. Engatinha sem dificuldade no azulejo escorregadio da parte rasa da piscina, sem cair. Testa o equilíbrio das pernas andando de um lado para o outro do sofá, mas ainda não sente confiança o bastante para dar os primeiros passos sozinho. Neste assunto, faz a mamãe aprender que cada pessoa tem seu tempo e que a vida não é, e nunca será uma corrida, e ponto final.

Dá gargalhadas de puro prazer quando gosta de alguma coisa. Cantarola junto com as músicas da tv. Testa a força da gravidade com os nossos controles remotos. Não chora mais no carro e já anda sozinho na cadeirinha no banco de trás. Escolhe o colo em que quer ficar. Ensaia suas primeiras palavras e balbucia algumas com muita proeficiência (mamã/ papá/ não/ nenê e dá - esta última quase sempre se referindo à comida ou á água).

Seus gestos aos poucos nos revelam um pouco da sua personalidade. Ao mesmo tempo que é doce, você também é forte e obstinado, não abre mão facilmente daquilo que quer. A timidez te assalta sempre que um estranho te dá atenção, mas ela não é grande o suficiente pra te impedir de distribuir sorrisos por onde vai. Embora ainda não conheça a palavra carinho, você já entende bem o seu significado e generosamente nos alegra com seus sorrisos, pseudo-beijos e abraços. Que bebê mais chameguento você é! Abre portas - que antes nos pareciam trancadas - com um sorriso de orelha a orelha (aqui no prédio tem mais gente que sabe o seu nome do que o do seu pai e o meu).

Sua presença se faz presente até na sua ausência: nos brinquedos e embalagens espalhados pelo tapete da sala. Nos copinhos e pratinhos de plásticos sobre a bancada da cozinha. No banquinho de plástico no banheiro e nas marcas de dedinhos que aparecem diariamente sobre os espelhos...

Sempre que fecho os olhos e penso no seu rosto é do seu sorriso que lembro, filho. Faço votos que você continue assim. Que aprenda a encarar as dificuldades da vida com este mesmo sorriso. Mas que quando for preciso chorar, que chore sem medo. Porque o choro, até mais que o riso, faz parte deste mundo, que por mais felicidade que traga, ainda é um vale de lágrimas. Mas que você não duvide de que quem chora enquanto semeia, volta com júbilo trazendo seus feixes. 

E - acima de tudo - a esperança, filho.  Que você nunca se esqueça de que o melhor ainda está por vir. 

Te amo,

Sua mãe.







domingo, 27 de março de 2016

Celebrando sua segunda Páscoa

Oi, filho,

Às vésperas do seu primeiro aniversário celebramos juntos a sua segunda Páscoa. Ano passado você nos surpreendeu com a sua chegada apenas alguns dias antes da Páscoa e neste ano podemos celebrá-la juntos um dia antes de você completar 1 aninho ...  E como essas celebrações são significativas pra nós, filho! Registro abaixo um texto que escrevi alguns anos antes de você nascer, mas que expressa bem o assombro e a alegria que sinto diante deste ato que aconteceu na história e ressoará para sempre na Eternidade. E que assim como as mulheres da história abaixo um dia você também se prostre em adoração aos pés do nosso Redentor e experimente a alegria de viver na presença Dele.


O mestre vive

O sol de domingo ainda não havia raiado e elas, as duas Marias, se dirigiam aos prantos para o sepulcro do Mestre. Há tempos o seguiam e, para a tristeza de seus corações, haviam testemunhado também a execução de Jesus. Mesmo de longe viram a forma execrável como ele fora tratado pelos soldados.

Seus corações se comprimiram de pura dor ao verem seu senhor ser desprezado por tamanha multidão! Em meio às centenas de rostos que expressavam rancor e exigiam a crucificação de Jesus, as duas Marias reconheceram muitos daqueles que por ele haviam sido curados.

Como desejaram que Deus o salvasse e mostrasse a todos o quanto estavam errados a respeito do mestre! Todavia, absolutamente nada havia sido feito para impedir a morte de um homem justo e inocente. Nem mesmo seus discípulos lhe deram o apoio de que necessitava em seu momento derradeiro. Todos, inclusive o Pai, o abandonaram.

Elas também testemunharam o instante em que ele, depois de muito sofrer, expirou. Tais imagens estavam vívidas em suas mentes tornando seus corações muito tristes e pesarosos. Como era possível que aquele homem que lhes estendera a mão e lhes ensinara sobre o amor de Deus não mais estivesse vivo?

Enquanto se dirigiam para o sepulcro, guardavam silêncio. Mas em seus pensamentos, imagens vívidas de Jesus teimavam em aparecer. Seu ensino cheio de autoridade ainda ressoava em suas memórias. Seu sorriso terno, a voz extremamente gentil e doce que convidava para junto de si as crianças, os pobres, as mulheres, os doentes e marginalizados estava bem nítida em suas memórias.

Todavia, o que mais marcara o tempo em que passaram com Jesus foi a misericórdia com a qual foram por ele tratadas. Nunca antes um homem judeu – e muito menos um rabi! – lhes tratara com tanto respeito. Afinal, elas eram mulheres… E enquanto tais, já estavam acostumadas a serem excluídas, rebaixadas e desprezadas. Jesus lhes dera um lugar legítimo entre os seus seguidores e abrira precedentes para que outros homens as tratassem com dignidade.

Durante todo o dia de sábado tudo o que fizeram foi chorar e lamentar a morte do Mestre. Mal esperaram aquele longo e triste dia terminar e se dirigiram ao local onde seu corpo fora guardado para prestarem a Ele sua última homenagem. Queriam embalsamá-lo, chorar a sua morte e expressar, ainda que diante de um corpo inerte, seu amor e sua gratidão.

Por isso tinham tamanha urgência em chegar ao sepulcro.

Qual não foi a surpresa que tiveram ao chegarem lá! A pedra que guardava a tumba fora retirada e sobre ela um ser resplandecente irradiava tudo à sua volta com uma doce e pura luz! Os guardas que não hesitaram em escarnecer e zombar de Jesus foram tomados de pavor ao verem o anjo.

No entanto, o belo ser celestial se dirigiu a elas com ternura, dizendo: “Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está mais aqui, pois vive!”.

As duas Marias mal podiam acreditar no que ouviram! “O mestre está vivo!”, diziam entre si. Em sua corrida para anunciar a boa nova aos outros discípulos nem perceberam que um homem se aproximava. As lágrimas de alegria embotavam seus olhos, e elas mal podiam enxergar.

De repente, aquele peso que esmagara seus corações desde que Jesus fora crucificado dera lugar à leveza, à alegria e ao entusiasmo. A dor e a tristeza podiam e deviam sair. O mestre vive!

Mas o desconhecido estava agora muito perto e elas finalmente conseguiram enxergar. Aquele homem que estava de pé diante delas era o próprio Jesus!

A alegria da descoberta de que o mestre estava vivo só foi superada pela alegria de vê-lo, abraçá-lo e adorá-lo! Tocaram em suas chagas e, com alívio, constataram que elas não mais lhe causavam dor. Abraçaram Jesus e sentiram a vida que exalava do seu corpo quente, pulsante, vivo!

O sol de domingo agora irradiava seu brilho tênue. Os pássaros cantavam alegres enquanto belas flores desabrochavam anunciando a redenção da Criação. No íntimo, aquelas mulheres sabiam que algo de sobrenatural acontecera naquele lugar. Enquanto durasse esse mundo sabiam que para sempre aquele domingo seria especial.

O Mestre está vivo!

(Texto baseado na narrativa de Mateus 28:1-10)